
Mirelle PinheiroColunas

PF diz que sogra de governador articulava rota clandestina aos EUA
De acordo com a PF, cada migrante desembolsava cerca de US$ 20 mil para realizar o trajeto clandestino
atualizado
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A Polícia Federal (PF) suspeita que Maria Helena de Sousa Netto Costa, presa na quinta-feira (7/5), atuava diretamente na coordenação de um esquema internacional de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos, com articulação de coiotes, compra de passagens aéreas e organização da travessia por países da América Central.
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. Segundo a PF, nem o governador nem integrantes do governo estadual são investigados.
As investigações apontam que o grupo atuava de forma estruturada havia mais de 20 anos, oferecendo uma espécie de “pacote completo” para brasileiros interessados em entrar ilegalmente nos Estados Unidos.
De acordo com a PF, cada migrante desembolsava cerca de US$ 20 mil para realizar o trajeto clandestino.
Os investigadores afirmam que Maria Helena mantinha contato com coiotes responsáveis pelas travessias e organizava etapas da logística, desde a saída do Brasil até a passagem por países como México e Panamá.
A polícia também aponta que ela providenciava suporte jurídico para migrantes detidos durante o percurso, incluindo contratação de advogados em casos de prisão.
R$ 240 milhões
Segundo as quebras de sigilo bancário e telefônico analisadas pela investigação, os cinco núcleos criminosos investigados movimentaram cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.
A PF calcula que aproximadamente R$ 45 milhões tenham passado pelo grupo atribuído a Maria Helena.
As apurações começaram em 2022, após um grupo de brasileiros ser interceptado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante os depoimentos, o nome da investigada foi citado pelos migrantes.
A polícia estima que ao menos 477 pessoas tenham sido enviadas ilegalmente aos Estados Unidos no período analisado, mas acredita que o número real possa ser ainda maior.
Empresas de fachada
Segundo os investigadores, o esquema utilizava empresas de fachada, laranjas e movimentações financeiras consideradas típicas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos.
A organização também teria integrantes em outros estados brasileiros e no exterior, responsáveis por apoio logístico, recepção de migrantes e intermediação financeira.
Além de Maria Helena, outras pessoas foram presas em Goiânia durante a operação. No Amapá, dois investigados apontados como chefes de outros núcleos seguem foragidos e foram incluídos na lista da Interpol.
Defesa
Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que recebeu a prisão “com surpresa” e classificou a medida como desnecessária.
Os advogados sustentam que não há elementos que justifiquem a prisão preventiva e afirmam que aguardam acesso integral ao processo para análise técnica da investigação.
Já o governador Daniel Vilela declarou que o caso “não tem absolutamente nenhuma relação” com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás.
Segundo a nota, os fatos investigados seriam anteriores ao atual mandato e remontariam aos anos 2000.
