
Mirelle PinheiroColunas

Imigração: esquema de R$ 240 milhões levou sogra de governador à prisão
Segundo a PF, a organização criminosa investigada movimentou cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023
atualizado
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A Polícia Federal (PF) prendeu, nessa quinta-feira (7/5), quatro suspeitos de integrar um esquema milionário de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. Entre os alvos está Maria Helena de Sousa Netto Costa (foto em destaque), sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela.
Segundo a PF, a organização criminosa investigada movimentou cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023 com a estruturação de travessias clandestinas para território norte-americano.
De acordo com os investigadores, cinco grupos atuavam de forma articulada no esquema. Apenas o núcleo atribuído a Maria Helena teria movimentado aproximadamente R$ 45 milhões no período investigado.
A Polícia Federal estima que mais de 600 pessoas tenham sido enviadas ilegalmente aos Estados Unidos ao longo de mais de duas décadas de atuação da organização.
Segundo as apurações, os migrantes pagavam cerca de US$ 20 mil para participar da travessia clandestina.
A investigação aponta que o grupo oferecia toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil até a entrada irregular nos Estados Unidos. As rotas incluíam deslocamentos por países da América Central, como México e Panamá.
As apurações começaram em 2022, após um grupo de brasileiros ser interceptado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante os depoimentos, o nome de Maria Helena teria sido citado por migrantes envolvidos na operação.
Segundo a PF, o esquema possuía ramificações em diferentes estados brasileiros e também no exterior, com integrantes responsáveis pela recepção de migrantes, suporte operacional e intermediação financeira.
Os investigadores também identificaram indícios de lavagem de dinheiro, incluindo uso de empresas de fachada, movimentações por meio de laranjas e mecanismos destinados a ocultar a origem dos recursos obtidos com as travessias ilegais.
Maria Helena foi presa em casa, em Goiânia. Outros três investigados também foram detidos em Goiás. Segundo a PF, dois suspeitos localizados no Amapá não foram encontrados e tiveram inclusão solicitada na lista da Interpol.
Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que recebeu a prisão “com surpresa” e classificou a medida como desnecessária. Os advogados sustentam que ela não representa risco às investigações e aguardam acesso integral ao processo.
O governador Daniel Vilela declarou que o caso “não tem absolutamente nenhuma relação” com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás. Segundo a nota divulgada pela defesa política do governador, os fatos investigados seriam anteriores ao atual mandato.
Os investigados podem responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
