Mirelle Pinheiro

“Ele ri da Justiça”, diz família de Eliza após prisão de goleiro Bruno. Veja vídeo

Considerado foragido havia cerca de dois meses, o goleiro Bruno foi localizado pela Polícia Militar em São Pedro da Aldeia

atualizado

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Foto colorida de goleiro Bruno - Metrópoles
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A nova prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes reacendeu a revolta da família de Eliza Samudio e provocou críticas duras à forma como o ex-jogador vinha cumprindo a pena pela morte da modelo.

Em entrevista à coluna, Maria do Carmo, representante legal da família de Eliza, madrinha de Bruninho e presidente do movimento Vítimas Unidas, afirmou que a captura trouxe alívio, mas também expôs o sentimento de impunidade que acompanha o caso há anos.

“Parece que o crime compensa”, afirmou. “Esperamos que, pela primeira vez, o Bruno entenda a gravidade do que fez.”

Segundo ela, dona Sônia Moura, mãe de Eliza, já havia sido informada sobre a prisão do ex-goleiro, ocorrida na noite de quinta-feira (7/5), em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro.

Maria do Carmo criticou a progressão de regime concedida a Bruno e afirmou que o comportamento do ex-jogador ao longo dos últimos anos demonstraria sucessivos desrespeitos às regras impostas pela Justiça.

“Ele viajava quando queria, saía à noite quando queria, fazia o que queria”, disse.

A representante da família também afirmou que Bruno não paga pensão ao filho de Eliza há quase quatro anos e relembrou episódios anteriores envolvendo o ex-goleiro após deixar o regime fechado.

Segundo ela, a exposição pública de Bruno em jogos de futebol e eventos contribuiu para uma “glamourização” do caso.

“A volta dele ao futebol, pessoas pedindo autógrafo, isso foi muito ruim para a luta contra o feminicídio”, afirmou.

“A família da Eliza continua presa”

Maria do Carmo também declarou que a família nunca conseguiu superar completamente o crime porque o corpo de Eliza jamais foi encontrado.

“A família da Eliza até hoje está presa na dor”, disse. “Não tivemos nem o direito de enterrá-la.”

Ela afirmou ainda esperar que a Justiça negue eventual retorno de Bruno ao semiaberto ou prisão domiciliar.

“Se ele voltar ao semiaberto, será uma das coisas mais absurdas do mundo”, declarou.

Para a representante, o caso se tornou simbólico na discussão sobre feminicídio e responsabilização criminal no Brasil.

“Não adianta fazer campanha contra feminicídio e, ao mesmo tempo, passar a sensação de impunidade em um caso dessa dimensão.”

Prisão

Bruno foi preso após decisão da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro apontar descumprimento das regras da liberdade condicional.

Segundo a Justiça, o ex-goleiro viajou ao Acre sem autorização judicial poucos dias após obter o benefício. O Ministério Público também apontou falta de atualização de endereço, violações de horários de recolhimento e presença em locais proibidos.

Considerado foragido havia cerca de dois meses, ele foi localizado pela Polícia Militar em São Pedro da Aldeia.

Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão pelo assassinato de Eliza Samudio, crime ocorrido em 2010 e que teve repercussão internacional.

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