PF cita “boletos altos” de enteado de Jaques Wagner em caso Master
A PF investiga se estruturas empresariais ligadas ao entorno familiar de Jaques Wagner foram utilizadas para movimentar recursos ilegais

Conversas reproduzidas nos documentos que embasaram a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (18/6), mostram que Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), mantinha contato frequente com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para tratar de pagamentos, notas fiscais e despesas.
Em uma das mensagens destacadas pela Polícia Federal (PF), Eduardo faz referência a “boletos altos”. As mensagens foram encontradas no celular de Augusto Lima.
A partir do material apreendido, os investigadores passaram a mapear as relações entre o empresário, familiares de Jaques Wagner e empresas que receberam recursos do Banco Master.
Segundo os autos, as conversas mostram cobranças relacionadas a documentos fiscais e ao recebimento de valores. Em determinado momento, Eduardo encaminha notas e faz menção a despesas elevadas, reforçando a necessidade de regularização dos pagamentos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroEduardo Sodré é secretário de Meio Ambiente da Bahia e filho da atual mulher do senador. Sua esposa, Bonnie Toaldo Bonilha, é sócia da BK Financeira, empresa que recebeu cerca de R$ 11 milhões do Banco Master desde 2021 para atuar na prospecção de operações de crédito consignado.
A PF investiga se estruturas empresariais ligadas ao entorno familiar do parlamentar foram utilizadas para movimentar recursos e ocultar vantagens indevidas.
A apuração da PF trata, em tese, de crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Em manifestações anteriores, Jaques Wagner afirmou que nunca participou de negociações em favor do Banco Master e que as empresas ligadas a familiares possuem atividades próprias.
A defesa
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, saiu em defesa de Wagner.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade”, afirmou Edinho, em nota divulgada pouco depois da operação.
Ainda segundo o presidente, “os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”.
“Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, finalizou o presidente do PT.
Em nota, a equipe de defesa de Augusto Lima declarou que as diligências realizadas pela PF nesta quinta (18) eram desnecessárias, “uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.”
Os advogados afirmaram, ainda, que Augusto sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
“De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.”





