PF acha salas vazias que movimentaram R$ 312 milhões na fraude do INSS
Empresas apontadas como integrantes do esquema funcionavam em endereços sem qualquer atividade comercial, segundo relatório final da PF

Empresas registradas em salas comerciais sem qualquer estrutura de funcionamento movimentaram R$ 312,4 milhões durante o esquema de descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação consta no relatório final da Polícia Federal (PF), obtido pela coluna, em inquérito que investiga uma organização criminosa suspeita de desviar mais de R$ 700 milhões de aposentados e pensionistas.
Segundo a investigação, os recursos passaram por empresas ligadas ao casal Cícero Marcelino de Souza Santos e Ingrid Pikinskeni Morais Santos, apontados pela PF como operadores financeiros do esquema.
Os investigadores identificaram que diversas empresas estavam registradas em salas localizadas na Avenida Washington Luiz, em Presidente Prudente (SP). Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, em abril de 2025, os policiais encontraram os imóveis praticamente vazios, sem funcionários, computadores, documentos nem qualquer estrutura compatível com a intensa movimentação financeira registrada.
De acordo com o relatório, testemunhas informaram que as salas permaneciam fechadas durante o horário comercial e não apresentavam atividade empresarial.
Caminho do dinheiro
As apurações indicam que, após o INSS repassar os valores arrecadados com descontos associativos à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), cerca de 91% dos recursos era transferido para empresas vinculadas ao grupo investigado.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroSegundo a Polícia Federal, essas pessoas jurídicas eram utilizadas para pulverizar os recursos e dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.
Entre as empresas mencionadas no relatório, estão sociedades registradas em nome de pessoas ligadas ao casal, com atividades econômicas variadas, como consultoria, locação de veículos, papelaria e agropecuária.
Bens apreendidos
Durante as buscas na residência dos investigados, a PF apreendeu uma BMW X5, uma Land Rover Defender, armas de fogo, R$ 12.490 em espécie e equipamentos eletrônicos, que passarão por perícia.
A investigação também aponta que Cícero Marcelino atuava na coordenação financeira do grupo, controlando a movimentação dos recursos por meio da rede de empresas e mantendo contato com outros investigados.





