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Mirelle Pinheiro

PCC: Justiça mantém prisão preventiva de Marcola e familiares

Decisão aponta que líderes do PCC continuavam a dar ordens de dentro de presídios e cita atuação de sobrinhos na lavagem de dinheiro

27/08/2026 15:49, atualizado 27/08/2026 15:55
Reprodução
Imagem colorida mostra Alejandro Camacho e Marcola, alvos de operação contra o PCC. Metrópoles

A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, do irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, investigados no âmbito da Operação Vérnix. Segundo a decisão, os irmãos são apontados como integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) e continuavam a dar ordens relacionadas à lavagem de dinheiro mesmo presos em unidades federais de segurança máxima.

De acordo com o processo obtido pela coluna, Marcola e Alejandro são apontados como donos da Lopes Lemos Transportes Ltda., conhecida como Transportadora Lado a Lado. A empresa foi reconhecida judicialmente, com trânsito em julgado, como uma empresa de fachada utilizada para a lavagem de dinheiro da facção.

Mensagens interceptadas no celular do empresário Ciro César Lemos, que administrava a transportadora, indicaram que ele seguia orientações dos dois irmãos e providenciava o repasse de lucros de forma fracionada para familiares e pessoas apontadas como laranjas da organização.

Além das mensagens, manuscritos apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau foram utilizados como prova de que Marcola e Alejandro continuaram expedindo ordens relacionadas à gestão financeira e ao funcionamento do esquema mesmo depois de transferidos para presídios federais.

Na decisão, o juiz destacou a chamada “multirreincidência específica” dos dois em crimes graves, entre eles tráfico internacional de drogas e organização armada.

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Investigação

Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, é apontada nas investigações como uma das responsáveis por transmitir as determinações do pai para pessoas que atuavam no esquema.

As investigações apontaram que Paloma utilizava contatos telefônicos e contas bancárias de terceiros para transmitir os percentuais que deveriam ser destinados a integrantes da família. Conforme os elementos reunidos no processo, ela dizia que as determinações eram “ordens diretas de seu pai”.

Após a deflagração da operação, Paloma deixou o Brasil e está foragida em Madri, na Espanha. O nome dela foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Já Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também filho de Alejandro, é apontado como operador financeiro e beneficiário de 30% dos lucros líquidos da transportadora, conforme determinação atribuída ao pai.

Ele também está foragido. Segundo o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal, ele embarcou no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, sem possuir passaporte válido.

Além disso, a decisão manteve a prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra Santos, apontada como integrante do topo operacional do esquema de lavagem, e de Everton de Sousa, descrito como responsável por coordenar a fragmentação de depósitos bancários para dificultar as fiscalizações.

Segundo o processo, as movimentações atribuídas ao conglomerado de Deolane ultrapassaram R$ 140 milhões.

Em nota, a defesa de Marcola e seus familiares, representada pelo advogado Bruno Ferullo, confirmou a decisão.

“A defesa respeita a decisão proferida, mas mantém o entendimento de que a prisão preventiva não se mostra necessária no caso e adotará as medidas recursais cabíveis para buscar a reforma da decisão”, escreveu.