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Mirelle Pinheiro

Médico do IML explica laudo da morte de Rodrigo Castanheira. Veja vídeo

O novo laudo aponta que a morte do adolescente foi causada por socos e não por impacto contra um carro

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Reprodução
Médico do IML explica laudo da morte de Rodrigo Castanheira

Sob condição de não expor o seu nome, um profissional do Instituto Médico Legal (IML) ligado ao caso de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos que morreu após ser agredido em Águas Claras, explicou com exclusividade à coluna que o novo laudo obtido pela família pode ajudar a esclarecer com mais precisão a causa da morte do jovem.

Segundo o médico, o documento produzido por um especialista contratado pelos familiares busca responder uma das principais dúvidas do caso: se a morte foi causada pela pancada da cabeça contra um carro ou pelos socos desferidos contra o adolescente, como a família sustenta desde o início das investigações.

O profissional contratado pelos familiares é um neurocirurgião, especialista em traumas cranioencefálicos. Após analisar o laudo oficial, as fotografias periciais e o prontuário médico, ele concluiu que as lesões apresentadas por Rodrigo são compatíveis com agressões provocadas por objeto contundente, possivelmente um soco inglês.

Diferença entre os peritos

O médico ligado ao IML explicou que existe uma diferença importante entre o trabalho do perito médico-legista oficial e o de um perito assistente, contratado pelas partes envolvidas no processo. No caso de Rodrigo, o IML constatou que a causa da morte foi uma lesão contundente na cabeça.

De acordo com ele, o perito do IML tem a obrigação de identificar o tipo de trauma e caracterizar as lesões encontradas no corpo da vítima. No entanto, em muitos casos, não é possível afirmar com certeza qual instrumento foi utilizado para provocar o ferimento.

Já o perito assistente, por ser especialista em determinada área médica, pode analisar os detalhes do caso com um olhar mais específico e, eventualmente, apresentar conclusões mais detalhadas.

“O perito médico-legista tem como obrigação caracterizar o tipo de trauma, o tipo de lesão que ele encontra no momento da execução da perícia. Mas, algumas vezes, não é possível afirmar exatamente qual instrumento foi utilizado”, explicou.

O médico comparou a situação a agressões domésticas em que o objeto utilizado deixa marcas na pele, mas não permite identificação exata.

“Se uma criança é agredida com uma sandália, por exemplo, pode ficar a marca do objeto. O médico-legista pode dizer que foi um objeto semelhante a uma sandália, mas não tem como afirmar se foi uma Havaiana, Rider ou Ipanema”, exemplificou.

Versão contestada

O Ministério Público sustenta que a lesão fatal ocorreu quando Rodrigo bateu a cabeça contra um carro após receber um soco.

No entanto, a defesa e os familiares questionam essa hipótese. Segundo eles, a imagem do soco inglês — possível instrumento da agressão — só passou a aparecer no inquérito depois que testemunhas foram ouvidas e o objeto foi encontrado na casa do suspeito.

Para os familiares, a nova análise médica pode ajudar a esclarecer a dinâmica exata da agressão e as circunstâncias que levaram à morte do adolescente.