
Mirelle PinheiroColunas

Máfia do Mounjaro tem delivery e até “frete grátis” em Brasília
O medicamento é comercializado irregularmente na Feira dos Importados de Brasília, no DF, tendo, inclusive, “frete grátis” para o centro
atualizado
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O comércio irregular das “canetas emagrecedoras” no Distrito Federal (DF), revelado pela coluna, não se restringe aos corredores apertados da Feira dos Importados de Brasília (FIB), o maior centro popular de vendas da região.
A reportagem apurou que o medicamento, importado de forma ilegal e vendido a preços que podem ultrapassar R$ 4 mil no mercado paralelo, é transportado pelas principais vias da capital federal.
Os flagrantes registrados ao longo da apuração revelam que, enquanto tentam negociar a substância, os próprios vendedores fazem propagandas e articulam a entrega do medicamento, ressaltando que levam a caneta a qualquer lugar do DF, inclusive ao Entorno.
Para facilitar o negócio, chegam a dar “frete grátis” para as regiões mais próximas. Quando o destino do produto é em regiões distantes, cobram taxas simbólicas que, segundo eles, servem para custear a gasolina.
À coluna, a Cooperativa dos Empreendedores da Feira dos Importados de Brasília (Cooperfim) afirmou que não compactua com qualquer tipo de irregularidade dentro da Feira e informou que, em resposta imediata às denúncias, abrirá um Procedimento Administrativo para apuração rigorosa dos fatos.
“Essa medida visa proteger a idoneidade dos cooperados que atuam de forma legal e garantir a segurança e a confiança de nossos clientes e visitantes. A Cooperativa reforça seu empenho em manter o ambiente da FIB sempre em conformidade com a legislação”, disse em nota.
Negócio de família
Em uma das bancas, a venda do produto funciona como um “negócio de família”. O proprietário do espaço é marido e cunhado das duas mulheres responsáveis por vender a medicação. A entrega fica a cargo do pai das duas.
O homem que faz o delivery do Mounjaro também usa a caneta. Enquanto tentava vender a substância para a reportagem, a mulher, filha dele, assegurou que o negócio é “certinho” e confiável, garantindo que a família inteira usa, e que não venderia o produto se não funcionasse.
Em outro estande, o vendedor garantiu que o produto chega na embalagem correta. “Vem no isopor com o ‘gelinho’, mas tem que manter dentro da geladeira, tá?”, ensinou o homem.
Compra on-line
Muito além da comercialização ilegal em espaços físicos, a substância também é oferecida em plataformas on-line. Não é difícil negociar a compra da caneta no Instagram ou em aplicativos de mensagens.
A reportagem fez o teste. Para comprar o Mounjaro, entrou em contato com a proprietária de uma loja de produtos termogênicos, que promete a perda de 5 a 10 kg por mês apenas com cápsulas. No Instagram, a loja, batizada de “SlimFit Termogênico”, conta com mais de sete mil seguidores.
Para verificar os preços e receber mais informações, basta sinalizar o interesse em emagrecer. Sem maiores questionamentos, o catálogo do medicamento é enviado na hora.
“Você quer caneta ou dose fracionada?”, questiona a atendente que, antes de ser respondida, já encaminha os valores: “Dose fracionada de 2,5 mg, R$ 350. Toma uma por semana.”
Em seguida, ela oferece também a caneta de Tirzepatida — substância que compõe o Mounjaro — e adianta que “é a mesma coisa do Mounjaro, que é só nome comercial”. Essa custa R$ 3,4 mil.
O Mounjaro propriamente dito também é oferecido: quatro doses de 15 mg são vendidas por R$ 4,2 mil.
Mesmo sem o cliente manifestar dúvidas, a vendedora envia uma explicação resumida sobre a função da Tirzepatida e chega a encaminhar um link do site do Governo Federal, que traz esclarecimentos sobre o remédio.
Após fechar negócio, o delivery acontece. As canetas emagrecedoras percorrem a capital federal e são entregues em qualquer endereço do DF.




















