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Mirelle Pinheiro

Mãe ficou 5 horas com bebê morto no útero à espera de cirurgia no DF

Ketlen Stéfany estava no oitavo mês de gestação e passou por três unidades de saúde diferentes antes da confirmação da morte do filho

23/06/2026 04:27
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Material cedido ao Metrópoles
Mãe ficou 5 horas com bebê morto no útero à espera de cirurgia no DF

A gestante Ketlen Stéfany Ferreira, de 31 anos, esperou por cerca de 5 horas para a realização da cesárea após a morte do filho, ainda dentro do útero, aos oito meses de gestação. O caso ocorreu no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), após dias de atendimento em diferentes unidades de saúde do Distrito Federal.

O menino, que se chamaria Alef Gael, morreu após uma sequência de atendimentos iniciada no Hospital Regional do Gama (HRG), no dia 16 de junho, quando Ketlen procurou atendimento por fortes dores abdominais.

Segundo boletim de ocorrência obtido pela coluna, exames realizados na unidade indicaram alterações laboratoriais, incluindo plaquetas baixas.

De acordo com o marido e pai da criança, Ricardo Ribeiro da Cruz, de 37 anos, os batimentos cardíacos do bebê estavam normais naquele momento. Como o hospital não possui maternidade, a gestante foi encaminhada à unidade de Santa Maria.

No local, a mulher foi classificada com pulseira verde, destinada a casos de menor gravidade, o que teria provocado demora no atendimento. Diante da piora do quadro e da espera, o casal procurou o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), onde a gestante teria sido reclassificada como caso urgente e, após novos exames, retornado ao HRSM em ambulância.

Ketlen foi internada e permaneceu em acompanhamento médico. Segundo o relato, os batimentos cardíacos do bebê começaram a cair nos dias seguintes, sendo considerados baixos na quarta-feira (17) e ainda menores na quinta-feira (18). O pai conta que situação foi tratada como normal pela equipe médica.

Na sexta-feira (19), os profissionais de saúde não conseguiram mais identificar os batimentos cardíacos da criança.

Gravidez planejada

O quarto do bebê já estava montado. Berço, cômoda e enxoval completo haviam sido preparados ao longo da gestação, que, segundo a família, era considerada de baixo risco até o surgimento das dores.

“A gente comprou praticamente tudo. Berço, cômoda, bastante roupa e itens de higiene. Algumas coisas nós ganhamos, mas a maioria foi comprada. O nosso sentimento é de revolta. A gente fica chateado, fica revoltado. Procuramos ajuda médica e tínhamos fé de que eles iam tirar o bebê, até porque as plaquetas dela estavam baixíssimas e ela estava com dor, mas em momento algum deram importância para isso”, disse o pai.
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O quarto do bebê já estava todo montado
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O último exame, realizado em 20 de maio, indicava que o bebê estava saudável.

Alef Gael tinha o nascimento previsto para 26 de julho. Apesar de terem filhos de relacionamentos anteriores, o bebê seria o primeiro de Ricardo e Ketlen.

O casal, que mora no Valparaíso (GO), é dono de um restaurante inaugurado há cerca de três meses, que permanece fechado desde a internação da mulher.

O caso foi registrado na 33ª Delegacia de Polícia de Santa Maria como ocorrência em apuração e está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Em nota à coluna, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) informou que, no dia 19 de junho, a paciente relatou ausência de movimentos fetais e foi imediatamente avaliada pela equipe obstétrica e submetida a exame de ultrassonografia, que constatou óbito fetal intrauterino.

“De acordo com os registros, a gestante realizou duas consultas de pré-natal e uma ultrassonografia obstétrica durante a gestação, realizada às 20 semanas. A paciente permaneceu sob acompanhamento das equipes assistenciais durante todo o período de internação e recebeu assistência multiprofissional e acompanhamento especializado, em conformidade com os protocolos assistenciais adotados pela unidade”, escreveu.