
Mirelle PinheiroColunas

Justiça mantém “Rei do Rebaixamento” preso e expõe esquema com atletas
Nas alegações finais, o Ministério Público do DF sustentou que Rogatto capitaneava um empreendimento criminoso
atualizado
Compartilhar notícia

A Justiça do Distrito Federal reconheceu a existência de um esquema de manipulação de resultados no futebol brasileiro e manteve a prisão de William Pereira Rogatto (foto em destaque), conhecido como “Rei do Rebaixamento”.
Na sentença da Operação Fim de Jogo, o Judiciário concluiu que Rogatto atuava como líder de um esquema criminoso voltado à fraude em partidas para obtenção de lucro com apostas esportivas.
Nas alegações finais, o Ministério Público do DF sustentou que Rogatto capitaneava um empreendimento criminoso organizado, com divisão clara de funções.
Segundo o MP, o grupo era composto pelo líder (Rogatto), dirigente de clube, gestores e jogadores responsáveis por executar a fraude dentro de campo.
O objetivo, segundo a acusação, era garantir resultados previamente combinados, alinhados a apostas realizadas online.
A denúncia aponta que o esquema operava de forma profissional, com base em provas bancárias, dados telemáticos, depoimentos, e relatórios técnicos de integridade esportiva.
Confissão na CPI
Um dos pontos mais relevantes da decisão é a forma como o juiz analisou a própria fala de Rogatto. Na CPI do Senado, ele detalhou o funcionamento do esquema. Já em juízo, tentou reduzir sua participação.
A Justiça considerou a versão apresentada na CPI mais coerente com o conjunto de provas e classificou o depoimento judicial como “seletivo” e estrategicamente limitado.
Na prática, o juiz entendeu que Rogatto tentou minimizar sua atuação, mas que os elementos do processo confirmam o modelo criminoso descrito anteriormente por ele mesmo.
Histórico
A sentença também destaca que o caso não foi isolado. Documentos e relatórios indicam que Rogatto já havia sido investigado por manipulação no futebol paulista, citado em procedimentos no Tribunal de Justiça Desportiva do Rio e envolvido em outras apurações semelhantes.
Além disso, o processo reúne um volume robusto de provas, incluindo alertas de partidas suspeitas emitidos por empresas de monitoramento de apostas, quebra de sigilo bancário, análise de dados telemáticos, e depoimentos de dirigentes do futebol.
Esses elementos, segundo a sentença, são suficientes para comprovar a materialidade dos crimes e a participação dos envolvidos.
Como funcionava o esquema
De acordo com a decisão, o modelo era simples e lucrativo. Envolvia a escolha de jogos e equipes vulneráveis, aliciamento de jogadores, definição de placares específicos, realização de apostas previamente combinadas e istribuição dos lucros.
Há registros de manipulação direta no Campeonato Candango, com derrotas combinadas envolvendo o Santa Maria.
Defesa
A defesa de Rogatto alegou ilegalidade em provas, sustentando violação de sigilo profissional. O pedido foi rejeitado.
O juiz entendeu que não houve irregularidade e manteve os elementos no processo, reforçando a validade das investigações.
O caso ganhou dimensão nacional após Rogatto admitir ter manipulado dezenas de partidas e movimentado milhões com apostas.
A Justiça, no entanto, deixou claro na sentença que, apesar de possíveis exageros em declarações públicas, o núcleo do esquema foi comprovado.
As investigações seguem para identificar outros envolvidos e aprofundar a extensão da fraude no futebol brasileiro.
