
Mirelle PinheiroColunas

INSS: deputada federal teve viagens bancadas com dinheiro da fraude
Mensagens obtidas pela investigação expõem que a deputada federal recebeu valores expressivos de integrantes do esquema
atualizado
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Levantamentos feitos por investigadores da Polícia Federal (PF) apontam que a deputada Maria Gorete Pereira (MDB-CE) tinha viagens bancadas com dinheiro obtido por meio do esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O rombo revelado pelo Metrópoles e pode ter alcançado bilhões de reais.
Mensagens obtidas pela investigação, por meio de quebra de sigilo telemático, expõem que a deputada federal recebeu valores expressivos de integrantes do esquema criminoso, provenientes de empresas vinculadas ao grupo da advogada Cecília Rodrigues Mota, presa nesta terça (17).
O dinheiro teria sido utilizado para bancar viagens da parlamentar.
Outros diálogos também apontam que a parlamentar tinha conhecimento da origem dos recursos e tratava com integrantes da organização criminosa sobre estratégias para dar aparência de legalidade aos repasses.
Em uma das conversas, Maria Gorete sugere ao empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como operador financeiro do grupo, que os pagamentos fossem feitos por meio de um escritório, sem passar pela advogada Cecília Rodrigues Mota, também investigada.
“É porque a Cecília é escritório de advocacia. Eu acho mais legítimo, tem mais moral para mandar o dinheiro, do que mandar da associação para a senhora”, afirmou.
O homem reforça a necessidade de manter o modelo para “preservar as coisas”. Diante da explicação, a deputada concorda: “Então, meu filho, você é que sabe”.
A própria parlamentar reconheceu, em mensagem enviada à sobrinha, que o uso do escritório de advocacia ajudaria a dar aparência legal aos repasses.
“Como lá é um escritório jurídico, dá mais credibilidade sair de lá do que sair da associação”, escreveu.
A sobrinha, Sofia Lilia Freitas Pereira, aparece na investigação como administradora de uma empresa apontada como de fachada, utilizada para aquisição de um apartamento de luxo avaliado em mais de R$ 4 milhões, que, segundo a PF, teria como real beneficiária a deputada.
Valores e planilhas
As cifras movimentadas pela parlamentar geravam comentários entre os próprios líderes da fraude. Em uma mensagem enviada por Natjo à advogada Cecília, o operador financeiro demonstra preocupação com o andamento das investigações e as notícias sobre o caso, mas destaca o suposto lucro da deputada: “E Gorete ganhando 1,5 milhão”.
Além disso, a investigação encontrou o nome da deputada em uma planilha de distribuição de propinas, com a indicação de repasse no valor de R$ 780.433,50.
O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou que Maria Gorete cumpra medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Em nota divulgada por sua assessoria, a deputada afirma que “não praticou qualquer ato ilícito e que as informações divulgadas não refletem a realidade dos fatos”.
“Sua trajetória pública de mais de 40 anos sempre foi pautada pela integridade. A parlamentar informa que sua defesa já analisa o teor da decisão; Confiante no devido processo legal, a deputada reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, finalizou.
Também foi informado que o advogado Waldir Xavier, que defende a deputada, se manifestará oportunamente após análise detalhada do caso.












