
Mirelle PinheiroColunas

Família aponta “descaso” de anestesista durante socorro à servidora. Veja vídeo
A família afirma que a equipe cometeu erros ao atender Camila Nogueira, que ficou em estado vegetativo após uma cirurgia de baixo risco
atualizado
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A coluna teve acesso, com exclusividade, a um vídeo no qual a médica anestesista que integrou a equipe responsável pela cirurgia de retirada de pedra na vesícula e correção de hérnia da servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Camila Nogueira aparece mexendo no celular enquanto tenta reanimar manualmente a paciente. Camila, de 38 anos, vive em estado vegetativo desde agosto de 2025, quando o procedimento ocorreu.
Segundo o marido de Camila, Paulo Menezes, que também é médico, Camila deveria estar usando respirador no momento em que foi transferida do centro cirúrgico para a unidade de terapia intensiva (UTI).
“A anestesista ficou apertando o aparelho, que manda oxigênio para o paciente, com uma mão e a outra mão no celular. Tem um momento que ela solta o equipamento e fica só no celular”, denunciou Paulo.
A família e a equipe de advogados que defendem Camila apontam uma série de supostas falhas médicas. Com base nessa versão, a defesa pede o afastamento imediato e a cassação do registro profissional da anestesista Mariana Parahyba e das cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti, médicas que integraram a equipe responsável pela cirurgia.
O que ocorreu
Na representação encaminhada ao Cremepe, os advogados sustentam que a paciente apresentava episódios de apneia, caracterizados por interrupções repetidas da respiração.
Apesar disso, segundo o documento, os alarmes dos equipamentos teriam sido desconsiderados tanto pela cirurgiã quanto pela anestesista por mais de um minuto e 42 segundos.
O relato aponta ainda que Camila permaneceu em quadro de sofrimento respiratório por aproximadamente 15 minutos. Às 11h16, ela teria evoluído para uma parada cardiorrespiratória, que, conforme a representação, só foi clinicamente identificada pela equipe por volta das 11h18 — quase dois minutos após o registro eletrônico do evento.
Ainda segundo a representação, Camila foi reanimada apenas às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes. O documento afirma que a sucessão de falhas resultou no desenvolvimento de uma lesão cerebral causada pela falta prolongada de oxigenação.
Desde então, Camila segue em estado vegetativo, precisando de ajuda para realizar até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.
A coluna tenta localizar as defesas das profissionais citadas. O espaço permanece aberto para manifestações.
Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) informou que “todas as denúncias recebidas e sindicâncias instauradas pela autarquia correm em sigilo processual para não comprometer a investigação e que os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético – Profissional (CPEP), estabelecido pela Resolução CFM nº 2.306/2022.”













