Mirelle Pinheiro

Estado vegetativo: família denuncia erro médico em caso de servidora

Camila Nogueira foi ao hospital para ser submetida à retirada da vesícula e correção de hérnia, mas entrou em estado vegetativo

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Camila Nogueira
1 de 1 Camila Nogueira - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A família da consultora de moda e servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Camila Nogueira, de 38 anos, afirma que um grave episódio de negligência médica foi responsável por deixá-la em estado vegetativo após um procedimento cirúrgico realizado em um hospital do Recife (PE).

Camila foi submetida, em 27 de agosto de 2025, a uma cirurgia para retirada da vesícula e correção de hérnia. Desde então, passou a depender de terceiros para realizar as necessidades mais básicas do dia a dia. Segundo os familiares, falhas sucessivas da equipe médica durante o procedimento resultaram em sofrimento respiratório prolongado, parada cardiorrespiratória e, posteriormente, em uma lesão cerebral causada pela falta de oxigenação.

De acordo com o advogado da família, Maia, a cirurgia estava prevista para o início da manhã, mas sofreu atraso. Em razão disso, a anestesista inicialmente escalada foi substituída por Mariana Parahyba. Ainda segundo a defesa, a profissional não teria realizado a anamnese da paciente, e o preenchimento da ficha pré-anestésica só teria ocorrido com a cirurgia já em andamento. “Desde os primeiros momentos do procedimento, os parâmetros exibidos no monitor indicavam que Camila apresentava dificuldade respiratória”, afirmou o advogado.

Na representação encaminhada ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), os advogados sustentam que Camila apresentou episódios de apneia, caracterizados por interrupções repetidas da respiração. Apesar disso, segundo o documento, os alarmes dos equipamentos teriam sido desconsiderados pela cirurgiã e pela anestesista por 1 minuto e 42 segundos. O relato aponta ainda que a paciente permaneceu em quadro de sofrimento respiratório por aproximadamente 15 minutos.

Às 11h16, Camila teria evoluído para uma parada cardiorrespiratória, mas o evento só teria sido clinicamente identificado pela equipe por volta das 11h18, quase dois minutos após o registro eletrônico. No prontuário, consta que a primeira pessoa a perceber a parada foi a cirurgiã Clarissa Guedes, que relatou ter alertado a anestesista. Ao constatar a gravidade da situação, a profissional teria ficado paralisada, sem saber como agir, conforme relatado pelo advogado.

Segundo a representação, Camila foi reanimada apenas às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes. A defesa sustenta que a sucessão de falhas resultou no desenvolvimento de uma lesão cerebral causada pela falta prolongada de oxigenação.

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Camila é casada e mãe de dois filhos
Ela está acamada na UTI do hospital
A filha mais nova tem 2 anos
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Diante do ocorrido, a família ingressou, em dezembro do ano passado, com uma representação no Cremepe pedindo o afastamento e a cassação do registro profissional das três médicas que integraram a equipe responsável pelo procedimento: a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti.

De acordo com os advogados, a cirurgiã-chefe Clarissa Guedes, na condição de garantidora da segurança global da paciente, deve responder por condutas omissivas e comissivas na liderança da equipe. Já a anestesista Mariana Parahyba é acusada de erro grosseiro, caracterizado por negligência, imprudência e imperícia, cujo resultado danoso era absolutamente previsível. A defesa afirma que a profissional teria registrado valores incorretos na ficha anestésica, divergentes dos dados apresentados pelo monitor multiparamétrico.

Ainda segundo a representação, a anestesista teria informado à família que administrou atropina, medicamento indicado para o tratamento de bradicardia grave. No entanto, o prontuário médico não conteria qualquer registro que comprove a administração da medicação. “Ela sabe que, se a atropina tivesse sido aplicada, possivelmente o quadro clínico de Camila teria sido outro”, afirmou Maia.

Por sua vez, a cirurgiã auxiliar Danielle Teti é apontada como responsável por omissão cúmplice. Para os advogados da paciente, a médica teria sido negligente ao permanecer passiva diante de sucessivos alarmes críticos e da clara instalação de um cenário de emergência.

O esposo de Camila afirmou que a família teve a vida destruída após o episódio. Ele disse que a esposa vive uma situação “sofrível” e que não desejaria a condição nem ao seu pior inimigo. Segundo ele, os filhos ficaram sem a mãe e a rotina familiar foi completamente transformada. “No réveillon, meu filho chorou quando tocou a música ‘Anunciação’, que foi a música que tocou quando ele nasceu. Minha filha ainda é muito pequena, tem dois anos, e não entende o que aconteceu. Já eu me tornei pai e mãe ao mesmo tempo”, lamentou.

A coluna tenta contato com as defesas das profissionais citadas. O espaço permanece aberto para manifestações.

Procurado, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) informou que “todas as denúncias recebidas e sindicâncias instauradas pela autarquia correm em sigilo processual para não comprometer a investigação e que os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético – Profissional (CPEP), estabelecido pela Resolução CFM nº 2.306/2022.”

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