Mirelle Pinheiro

Falso PM cria batalhão fake e faz 200 “recrutas” trabalharem de graça. Veja vídeo

Identificado como Luiz Fernando Dutra, homem acumula série de golpes em Sabará, município localizado em Minas Gerais

atualizado

metropoles.com

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Gabriel Lucas/Metrópoles
golpe do batalhão
1 de 1 golpe do batalhão - Foto: Gabriel Lucas/Metrópoles

Um homem identificado como Luiz Fernando Dutra é investigado por criar um falso “batalhão” e recrutar mais de 200 pessoas com promessas de carreira militar, submetendo vítimas a uma rotina de hierarquia simulada, cobranças indevidas e trabalho sem pagamento. O caso veio à tona após ele ser preso em flagrante no começo deste mês, em Sabará, município de Belo Horizonte (MG), ao tentar aplicar um novo golpe envolvendo uma escola pública.
Diego:


A coluna teve acesso aos boletins de ocorrência e conversou com uma das vítimas, identificada como Tatiane Martins, de 32 anos, e ela conta que Dutra se apresentava como tenente-coronel da Polícia Militar, utilizando uniforme e documentos falsos para dar credibilidade ao esquema. No suposto batalhão, ele impunha regras inspiradas no meio militar, como a exigência de continência diária, treinamentos e até punições financeiras.

“Se a gente não batesse continência, tinha que pagar cerca de R$ 700. Trabalhamos por meses sem receber salário”, relatou a vítima Tatiane Martins, de 32 anos.

De acordo com ela, os participantes eram obrigados a pagar por fardas, cursos e até pela própria alimentação, sob a promessa de ressarcimento e contratação formal, o que nunca aconteceu.

“Nós tínhamos uma rotina de chegar, bater continência pra ele entrar. Além disso fizemos alguns treinamentos que ele falava que a empresa exigia, em um valor X. Depois veio com a história da farda no valor de R$ 800, porque teríamos a formatura do treinamento que a gente fez. Você comprava a farda e o coturno. A formatura realmente aconteceu, porém quem pagou por ela foram os próprios alunos, que ele também falou que ia ressarcir o dinheiro. Só depois de três meses percebemos que era um golpe”, afirmou.

Os depoimentos também apontam que o suspeito assinava contratos com os trabalhadores, mas não entregava cópias, e prometia benefícios como plano de saúde e auxílios que jamais foram concedidos. Há, ainda, denúncias de maus-tratos a animais no local onde funcionava o falso batalhão.

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Suspeito foi identificado como Luiz Fernando Dutra
Farda teria custado às vítimas cerca de R$ 800
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Farda teria custado às vítimas cerca de R$ 800

Material cedido ao Metrópoles
Suspeito foi identificado como Luiz Fernando Dutra
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Suspeito foi identificado como Luiz Fernando Dutra

Material cedido ao Metrópoles
“Ele prendeu a mãe dos filhotes de cachorro que ficavam no lote. Um dia ele saiu e deixou a cachorra sozinha, foi quando ela no desespero pulou lá de cima e morreu. Ele então a pegou e enterrou a cachorra do outro lado do lote. E os cachorrinhos foram morrendo de fome, porque eles ainda mamavam. Então, ele foi enterrando um por um no quintal da residência”, disse Tatiane.

Outras vítimas

Dutra também tentou firmar um contrato com uma empresa de excursões escolares, identificada como Grupo Zero9, se passando por capelão da Força Aérea Brasileira (FAB). Nesta, ele ofereceu uma suposta doação de cerca de R$ 308 mil para custear passeios de estudantes.

A proposta foi analisada pela advogada Lorrana Gomes, que identificou inconsistências e orientou a empresa a não fechar o acordo. “Verifiquei que ele não tinha vínculo com a FAB e já possuía histórico de fraudes”, explicou.

Após a recusa, o homem foi até a escola pública em Sabará e contou aos estudantes que o passeio não ocorreria porque a empresa teria aplicado um golpe nele — versão esta que era falsa. “Ele sustentou até o fim que era militar. Acionei a polícia e ele foi preso em flagrante”, disse a advogada.

Apesar da prisão, Dutra foi liberado após o registro por falsidade ideológica, já que não houve prejuízo financeiro consumado no caso da escola.

Com a repercussão, outras pessoas passaram a procurar a defesa relatando situações semelhantes, incluindo um possível novo golpe envolvendo estudantes universitários, ainda em apuração.

A coluna contatou a Polícia Civil, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Alerta

Após a repercussão do caso nas redes sociais, muitos internautas questionaram a atitude das vítimas em acreditar que seguiriam carreira militar sem necessidade de concurso público. A advogada Michelle Guedes, especialista em direito administrativo, alerta que promessas de ingresso em carreiras públicas fora dos meios legais são sempre fraudulentas.

“Não existe ingresso sem concurso público. Qualquer promessa nesse sentido deve ser vista com desconfiança”, afirmou, com base no artigo 37 da Constituição Federal.

Segundo ela, golpistas exploram a falta de informação e a vulnerabilidade das vítimas. “Eles criam narrativas convincentes e usam o nome de instituições oficiais para dar aparência de legalidade”, disse.

O caso também deixou prejuízos emocionais na escola envolvida, onde mais de 200 crianças tiveram a expectativa de participar de excursões frustrada após a falsa promessa do suspeito. Diante disso, a empresa envolvida juntamente com a advogada Lorrana — que também já foi estudante do local na infância — criou uma vakinha virtual para arrecadar recursos e tentar viabilizar os passeios que foram prometidos para esses jovens. “A ideia é minimizar o impacto e realizar esse sonho”, afirmou Lorrana.

A iniciativa está disponível para quem quiser contribuir, através do link.

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