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Mirelle Pinheiro

Ex-secretária de Bem-Estar Animal é presa por “eutanásia via Pix”

A Polícia Civil estima que pelo menos 498 animais tenham sido submetidos à eutanásia durante oito meses de gestão da investigada

15/06/2026 12:25, atualizado 15/06/2026 12:30
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Ex-secretária de Bem-Estar Animal é presa por “eutanásia via Pix”

A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS), Paula Lopes (foto em destaque), foi presa na manhã desta segunda-feira (15/6) durante a segunda fase da Operação Carrasco, que investiga um suposto esquema de eutanásias irregulares de cães e gatos associado à arrecadação de dinheiro por meio de campanhas nas redes sociais.

Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a investigada utilizava a imagem de protetora dos animais para sensibilizar seguidores e obter doações destinadas, supostamente, ao tratamento de animais resgatados. Nos bastidores, porém, parte desses animais estaria sendo submetida à eutanásia mesmo quando ainda existiam alternativas terapêuticas.

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Além de Paula, dois médicos-veterinários foram presos preventivamente. Os investigadores apuram os crimes de maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato.

A prisão ocorreu na sede do instituto mantido pela ex-secretária, em Porto Alegre. Durante a operação, os policiais também apreenderam celulares, computadores e documentos.

Um cão debilitado, sem as patas dianteiras e frequentemente utilizado em campanhas de arrecadação divulgadas nas redes sociais, foi recolhido pelos agentes.

De acordo com a investigação, o esquema teria continuado mesmo após a exoneração de Paula da Secretaria de Bem-Estar Animal de Canoas, em julho de 2025.

A polícia afirma ter identificado situações em que animais apresentados ao público como pacientes em tratamento eram, na realidade, encaminhados para eutanásia. Em um dos episódios investigados, uma veterinária questionou se seria realizado exame para confirmar a suspeita de cinomose antes de qualquer decisão. Segundo a apuração, a orientação recebida foi para prosseguir diretamente com a eutanásia.

Na mesma data, afirmam os investigadores, campanhas de arrecadação para custear o tratamento do animal continuavam sendo divulgadas nas redes sociais.

A Polícia Civil estima que pelo menos 498 animais tenham sido submetidos à eutanásia durante oito meses de gestão da investigada na Secretaria de Bem-Estar Animal de Canoas. Os investigadores agora tentam identificar quantos desses procedimentos teriam ocorrido sem justificativa clínica adequada.

Conforme a apuração, o instituto ligado à ex-secretária realizou 549 campanhas de arrecadação desde 2020, recebendo mais de R$ 672 mil em doações de aproximadamente 14,5 mil pessoas.