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Mirelle Pinheiro

Ciúmes e troca de taças: entenda a trama que acabou com PM
 morto

O caso foi inicialmente registrado como morte a esclarecer e uma das hipóteses analisadas é a possibilidade de envenenamento

15/06/2026 11:51, atualizado 15/06/2026 13:33
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Reprodução/Instagram
Ciúmes e troca de taças: entenda a trama que acabou com PM
 morto

A morte do cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) José Maria Alexandre da Silva Junior (foto em destaque), de 40 anos, dentro do apartamento da ex-companheira, Helen Kelly de Lima Pedrosa, 48, em Boa Viagem, na zona sul do Recife, mostrou uma sequência de episódios marcados por ciúmes, ameaças, descumprimento de medida protetiva e tentativas de reconciliação que agora  integram as investigações da Polícia Civil.

O policial morreu na quinta-feira (11/6), após passar mal durante um encontro com a ex. O caso foi inicialmente registrado como morte a esclarecer e uma das hipóteses analisadas pelos investigadores é a possibilidade de envenenamento. A causa da morte, porém, ainda depende dos resultados dos exames periciais.

A coluna teve acesso a mensagens trocadas entre o casal, ao depoimento prestado pela mulher e às declarações do advogado dela, Yuri Bold. O material revela um relacionamento conturbado que já havia resultado em uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça.

Segundo o advogado, o relacionamento era marcado por comportamento possessivo e tentativas constantes de controle.

Ciúmes e troca de taças: entenda a trama que acabou com PM
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PM que morreu após troca de taças enviava mensagens à vítima de violência doméstica
PM que morreu após troca de taças enviava mensagens à vítima de violência doméstica
Ex de PM que morreu após troca de taças era vítima de violência doméstica
Vítima de violência doméstica tinha medida protetiva contra PM
Ex de PM que morreu após troca de taças era vítima de violência doméstica
PM que morreu após troca de taças enviava mensagens à vítima de violência doméstica
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PM que morreu após troca de taças enviava mensagens à vítima de violência doméstica

Material cedido ao Metrópoles
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Vítima de violência doméstica tinha medida protetiva contra PM
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Vítima de violência doméstica tinha medida protetiva contra PM

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Vítima de violência doméstica tinha medida protetiva contra PM
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Vítima de violência doméstica tinha medida protetiva contra PM

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“Era um relacionamento coberto de ciúmes. Ele tentava sempre ter acesso ao celular dela, não deixava que ela conversasse com outros homens. A medida protetiva surgiu justamente após uma agressão praticada por ele no final de fevereiro”, afirmou Yuri Bold.

De acordo com o relato da mulher à polícia, a medida protetiva foi concedida no início de março, após episódios de ciúmes excessivos que culminaram em agressão física.

“A partir daí, ambos se afastaram. Mas começou uma perseguição por parte dele para conseguir voltar a falar com ela, utilizando amigos em comum e até familiares”, relatou.

Segundo a versão da mulher, o militar passou a descumprir a medida protetiva e, aos poucos, retomou contato com a ex-companheira. Os encontros voltaram a acontecer e ele chegou a passar alguns dias da semana no apartamento dela.

As investigações também analisam mensagens nas quais o policial pressionava a mulher para retirar a medida judicial.

Em uma delas, ele escreveu: “Eu sei que você ainda só. Coisa boa pode não acontecer. Deixa as coisas acontecerem. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Você já está avisada. Tire as medidas na moral. Encontro você no inferno, mas encontro.”

Em outra conversa, obtida pela coluna, o policial demonstra ciúmes da possibilidade de a ex-companheira estar falando com outro homem.

“Tu tá bem falando com o seu amigo. Antes de você desligar eu perguntei se você ia dormir ou esperar eu tomar banho para te ligar de novo e você disse que ia dormir. Fala a verdade. Você está de conversinha com ele de novo. Já falei que você é minha e de mais ninguém para sempre.”

Segundo o advogado, além de insistir pela retirada da medida protetiva, o militar utilizava promessas de casamento e união estável como forma de convencimento.

“Houve compra de alianças, promessa de casamento e ele cobrava que a medida fosse retirada para que os dois pudessem ficar juntos oficialmente”, afirmou Yuri.

O próprio depoimento da mulher confirma que a pressão pela retirada da medida judicial era constante.

“Começou a pressão para retirada da medida protetiva com a promessa de virem a se casar ou fazer uma união estável em cartório. Cenas de ciúmes e pressão psicológica eram constantes”, declarou.

Segundo ela, após diversas conversas e orientações jurídicas, os dois teriam decidido encerrar definitivamente o relacionamento no dia 4 de junho. A intenção era que não houvesse mais contato nem novos encontros.

“Ficou decidido que não haveria mais quebra de medida protetiva. Contudo, tal conselho não foi seguido. Eles continuaram conversando até o dia em que se encontraram e ocorreu a fatalidade”, diz trecho do depoimento.

A noite da morte

Segundo os relatos colhidos pela investigação, José Maria apareceu no apartamento após deixar o trabalho. Ele teria pedido autorização para entrar no condomínio, já que estava proibido de frequentar o imóvel em razão da medida protetiva.

A entrada foi autorizada pela ex-companheira. Durante a madrugada e parte da manhã, os dois consumiram energético.

Foi nesse momento que ocorreu um dos episódios mais intrigantes do caso. Segundo o advogado da mulher, ela utilizava taças identificadas porque alugava quartos do apartamento para outras pessoas.

“Os copos dela são todos marcados. Ela pegou uma taça para ela e outra para ele. Em determinado momento ele pediu que ela fosse buscar gelo. Quando voltou, ela percebeu que a taça dela não estava mais onde havia deixado e que parecia ter sido trocada”, afirmou Yuri Bold.

Ainda segundo o advogado, a mulher ficou desconfiada. Pouco depois, o policial teria ido até a varanda para guardar o coturno utilizado durante o serviço. Aproveitando a ausência dele, ela teria recolocado cada taça em sua posição original.

“Ela trocou novamente as taças porque ficou desconfiada com o que tinha visto”, disse o defensor. Horas depois, o militar começou a passar mal.

Segundo os relatos, ele apresentava espuma na boca e os lábios arroxeados. Equipes da Polícia Militar foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local.

As taças utilizadas pelo casal e amostras das bebidas consumidas foram apreendidas e encaminhadas para perícia. Os exames toxicológicos deverão apontar se houve intoxicação e qual substância pode ter provocado a morte.

A ex-companheira foi conduzida para prestar depoimento e liberada em seguida. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a hipótese de envenenamento nem apontou suspeitos. O caso continua sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios de Pernambuco.