Mirelle Pinheiro

Do “Tigrinho” à Gucci: o caminho do dinheiro do esquema de MC Ryan

Plataformas ilegais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”, funcionavam como porta de entrada para o dinheiro

atualizado

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Do “Tigrinho” à Gucci: o caminho do dinheiro do esquema de MC Ryan
1 de 1 Do “Tigrinho” à Gucci: o caminho do dinheiro do esquema de MC Ryan - Foto: Divulgação

A investigação da Polícia Federal (PF) escancarou o caminho percorrido por bilhões de reais que saíram de apostas ilegais e terminaram convertidos em luxo, influência e financiamento do crime organizado. O esquema, de acordo com os investigadores, seria liderado por MC Ryan SP (foto em destaque).

Documentos analisados pela PF mostram que o esquema operava com uma estrutura sofisticada, baseada nas três etapas clássicas da lavagem de dinheiro, mas executadas em escala industrial, com uso de tecnologia, empresas de fachada e uma rede de operadores.

Plataformas ilegais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”, funcionavam como porta de entrada para o dinheiro. Milhares de pessoas realizavam depósitos, principalmente via Pix, em contas ligadas a empresas intermediadoras.

Os valores eram, em sua maioria, fragmentados em pequenas quantias, uma técnica conhecida como “smurfing”, usada para evitar alertas do sistema financeiro.

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Ryan segue na sede da PF, enquanto dono da Choquei e Poze vão para presídio
Web resgata post de MC Ryan sobre professora que dizia que ele viraria ladrão
MC Ryan SP deixa IML após prisão pela PF
A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias
Investigações indicam que a movimentação era feita no Brasil e no exterior
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Ryan segue na sede da PF, enquanto dono da Choquei e Poze vão para presídio
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Ryan segue na sede da PF, enquanto dono da Choquei e Poze vão para presídio

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Web resgata post de MC Ryan sobre professora que dizia que ele viraria ladrão
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MC Ryan SP deixa IML após prisão pela PF
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A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias
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Investigações indicam que a movimentação era feita no Brasil e no exterior
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Foram determinadas medidas de constrição patrimonial e o sequestro de bens
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Polícia Federal acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão
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Além dos itens de luxo, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos
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Na operação, a PF apreendeu carros e relógios de luxo, cartões, armas e outros itens de valor
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Na operação, a PF apreendeu carros e relógios de luxo, cartões, armas e outros itens de valor

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Um dos alvos da operação é o cantor de funk MC Ryan SP, que foi preso em Bertioga, litoral paulista
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Um dos alvos da operação é o cantor de funk MC Ryan SP, que foi preso em Bertioga, litoral paulista

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A ação acontece simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal
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A ação acontece simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal

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Mais de 200 policiais federais participam da Operação NarcoFluxo
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Mais de 200 policiais federais participam da Operação NarcoFluxo

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PF prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação por lavagem de dinheiro
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PF prende MC Ryan SP e Poze do Rodo em operação por lavagem de dinheiro

Material cedido ao Metrópoles
MC Ryan
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MC Ryan

Reprodução/Redes sociais.

Segundo a PF, esse fluxo inicial só era possível devido a falhas, ou, em alguns casos, à chamada “cegueira deliberada”, de instituições que aceitavam cadastros inconsistentes e movimentações incompatíveis com a renda declarada.

Com o dinheiro já dentro do sistema, começava a fase mais complexa, esconder sua origem.

A investigação aponta que o grupo utilizava uma rede de “contas de passagem”, empresas de fachada e pessoas interpostas, os “laranjas”, para embaralhar o rastro financeiro.

Operadores recebiam grandes volumes e redistribuíam os valores em múltiplas transações, dificultando o rastreamento.

Entre os mecanismos identificados estão negócios aparentemente legítimos usados para “esfriar” o dinheiro, como empresas do setor de sucata e até estabelecimentos comerciais que funcionariam como pontos de arrecadação ligados à facção.

Até familiares eram inseridos na estrutura, assumindo participação em empresas para dar aparência de legalidade aos ativos.

É na etapa final que o dinheiro reaparece, já com aparência limpa. A PF identificou que os valores eram misturados ao faturamento de atividades formais, especialmente na indústria do entretenimento, com shows. A partir daí, eram convertidos em bens de alto valor: carros de luxo, itens de grife, como bolsas Gucci, imóveis e obras milionárias.

Um dos exemplos citados é a construção de um lago artificial avaliado em quase R$ 1 milhão, pago por meio de uma “via paralela corporativa”, segundo os investigadores.

Outro ponto sensível envolve um acordo judicial firmado após um episódio de dano a patrimônio. A Polícia Federal sustenta que o valor, próximo de R$ 1 milhão, não saiu diretamente do artista envolvido, o MC Ryan, mas de empresas ligadas a apostas.

A investigação também identificou que parte desses recursos extrapolava o consumo de luxo e alimentava outras frentes do crime, incluindo operações de tráfico internacional.

Um dos casos citados envolve a aquisição de um veleiro posteriormente interceptado com toneladas de cocaína.

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