Diretores da PF dizem que acusações contra Andrei são “sem fundamento”
Depois de apresentar essas justificativas, os 11 integrantes da cúpula encerram a nota colocando os próprios cargos à disposição

Os 11 diretores da Polícia Federal (PF) que colocaram os cargos à disposição nesta terça-feira (8/9) justificaram a decisão como uma forma de defender a corporação e manifestar apoio ao diretor-geral afastado, Andrei Rodrigues, e ao diretor de Inteligência, Leandro Almada.
A manifestação coletiva ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo dos dois delegados e mandar a Corregedoria da PF investigar a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.
Na nota, os integrantes da cúpula classificam como “injustificados” os ataques sofridos pela PF e afirmam que existem “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais” dirigidas contra a instituição e seus dirigentes.
É nesse contexto que os diretores apresentam a decisão de colocar os postos à disposição do comando substituto.
“Cumprindo nosso dever de defender a Instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, e assegurando o interesse público na manutenção de uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito, tornamos público nosso apoio aos diretores”, diz a manifestação.
Atuação “não republicana”
Outro ponto usado pelos diretores para justificar a reação coletiva é a defesa da atuação institucional de Andrei e Almada.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroO grupo afirma repudiar “toda e qualquer tentativa” de atribuir aos dois ou à própria Polícia Federal uma atuação “não republicana”.
“Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas”, afirmam.
No caso de Andrei, os signatários destacam sua trajetória profissional e sustentam que o delegado teve uma atuação “técnica, isenta e responsável” à frente da instituição.
Os diretores também argumentam que acusações ou críticas não seriam capazes de apagar a reputação construída pelo delegado ao longo da carreira.
Novo comando
Depois de apresentar essas justificativas, os 11 integrantes da cúpula encerram a nota colocando os próprios cargos à disposição do diretor-geral substituto.
Ao colocar os cargos à disposição, submetem sua permanência à decisão de quem assumir o comando da PF. “Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto”, registra o documento.
A nota não estabelece condições para a permanência dos diretores e não informa que a entrega dos cargos esteja condicionada ao retorno de Andrei ou Almada.
Também não afirma que haverá exoneração coletiva. Esses pontos dependerão das decisões tomadas a partir da mudança no comando da corporação.
Decisão de Mendonça
Mendonça afastou preventivamente Andrei e Almada ao analisar seis relatórios produzidos pela inteligência da PF. O ministro afirma que o material revela “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Na decisão, Mendonça utiliza expressões como “monitoramento sistemático e ilegal” e “arapongagem institucional” e aponta problemas técnicos e jurídicos nos documentos.
O ministro também determinou a abertura de procedimentos criminais e administrativo-disciplinares pela Corregedoria da própria PF.
Os afastamentos têm caráter cautelar e não representam condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos dois delegados.





