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Mirelle Pinheiro

Delegado preso por corrupção é acusado de usar PCC para coagir vítima. Veja vídeo

Rick da Silva é alvo de duas denúncias do Ministério Público de Roraima por ameaças a vítimas e abuso de autoridade em investigações de 2025

22/06/2026 09:57
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Divulgação
Rick da Silva e Silva

O Ministério Público de Roraima (MPRR) apresentou duas denúncias criminais contra o delegado da Polícia Civil Rick da Silva e Silva. Os documentos apontam uma série de supostos crimes cometidos ao longo de 2025, incluindo abuso de autoridade, peculato, falsidade ideológica e constrangimento de presos.

Na primeira denúncia, ocorrida no dia 13 de agosto de 2025, o delegado foi até uma residência localizada no bairro Nova Vitória, em Rorainópolis (RR), com outros três policiais civis para procurar um suposto aparelho de som furtado.

O morador, no entanto, negou estar com o equipamento. Mesmo assim, de acordo com o MP, Rick tentou entrar na casa sem mandado judicial e sem situação de flagrante que justificasse a ação.

Imagens obtidas pela coluna, gravadas pela esposa da vítima, mostram o morador se trancando dentro da residência. Em seguida, o delegado passa a fazer ameaças para tentar forçar a entrada dos policiais.

“Já pedi o mandado de busca e apreensão e também sua prisão, tá?”, diz o policial, aos gritos.

O documento também cita outras ameaças diretas, como: “Eu vou arrombar essa casa aí amanhã, tu vai ver. Vou te pegar”. 

Outro caso

Em outro caso, durante uma busca e apreensão ocorrida no dia 24 de março, o delegado teria levado medicamentos encontrados na casa das vítimas, como ampolas de Deposteron e canetas de GH, e ficado com os itens para uso próprio.

Ainda de acordo com a acusação obtida pela coluna, ele teria ordenado que uma escrivã não registrasse esses materiais no auto de apreensão, o que configura possível falsificação de documento público.

A denúncia também afirma que o Rick teria pressionado psicologicamente uma das vítimas para que ela prestasse depoimentos contra o marido. Para isso, teria inventado a existência de uma facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital (PCC), que estaria planejando atacar os filhos do casal, como forma de coação.

O documento menciona que a mulher estava “chorando muito” e chegava a “botar a mão nos ouvidos para tapá-los” diante da pressão do delegado.

Além disso, o homem teria sido interrogado por volta de 00h40, durante a madrugada, sem situação de flagrante e sem consentimento adequado, o que violaria a legislação sobre abuso de autoridade. 

Nas duas denúncias, o Ministério Público afirma que houve prática de crimes como peculato, falsidade ideológica, constrangimento de preso e abuso de autoridade. Em um dos documentos, o órgão também cita que as condutas ocorreram em concurso material, ou seja, em mais de um crime ao mesmo tempo.

Em depoimento, o delegado confirmou que disse as frases que aparecem no vídeo, mas alegou que tudo aconteceu em um momento de discussão e negou ter tentado forçar a entrada ilegal no imóvel.

Outras investigações

Rick da Silva e Silva está preso desde 14 de abril deste ano e já é alvo de outras investigações no estado.

Em outro processo, a Justiça de Roraima determinou seu afastamento por 180 dias. A decisão aponta suspeitas de que ele teria transformado a Delegacia de Rorainópolis em um “balcão de negócios”, com cobrança de propina e favorecimento a uma advogada específica.

Segundo a investigação, alguns presos eram direcionados para essa profissional e os valores pagos seriam divididos em dinheiro vivo.

Ele também é investigado por possível interferência no caso do assassinato de um casal encontrado carbonizado dentro de um carro em dezembro de 2025. Há suspeitas de que ele tenha tentado influenciar investigações, intimidar policiais e esconder provas.

O delegado foi preso durante a Operação Conluio, realizada em abril deste ano por equipes da Polícia Civil, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (SSP-RR).