
Mirelle PinheiroColunas

Como é o prédio de luxo que deputado alvo da Overclean construiu. Veja vídeo
O edifício, que conta com apartamentos de quase 1000 m², é considerado um dos endereços mais luxuosos de Salvador (BA)
atualizado
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Alvo de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (13/1), no âmbito da Operação Overclean, o Edifício Mansão Wildberger — considerado um dos endereços mais luxuosos de Salvador (BA) — entrou na mira da Polícia Federal (PF) por ter o nome do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) relacionado à sua construção.
A coluna apurou que o parlamentar, alvo central da 9ª fase da operação, atuou na construção do empreendimento, que atualmente abriga diversas celebridades, como o cantor Bell Marques e o jogador de futebol Everton Ribeiro.
No condomínio, há apartamentos cujo valor de aquisição ultrapassa R$ 50 milhões.
Além de ter participado da construção do prédio, Félix Mendonça é proprietário de uma unidade no edifício, que conta com píer particular e um teleférico para levar moradores ao mar. O apartamento em nome do deputado tem cerca de 1.000 m² e conta com 16 vagas de garagem.
Reduto de luxo
Em anúncios publicados em sites de construtoras, é possível conferir detalhes do edifício faraônico.
Uma das unidades, com 997 m², dispõe de cinco suítes — sendo uma master —, closet ampliado, dois banheiros e varanda incorporada à sala, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. O imóvel é anunciado pelo valor de R$ 56 milhões.
Ao todo, o prédio, de torre única, é composto por 40 pavimentos. Desses, 34 abrigam dois apartamentos de 450 m² cada, enquanto seis pavimentos contam com unidades de aproximadamente 990 m².
Saiba mais detalhes
O edifício oferece uma ampla gama de itens de lazer, entre eles:
- Píer com acesso para lanchas de até 70 pés.
- Teleférico para levar moradores ao mar.
- Adega, prataria e rouparia.
- Restaurante.
- Quadra poliesportiva
- Parque infantil, com praça elevada de observação e playground
- Praça integrada ao salão de festas, salão de jogos e piscinas.
Os seis últimos andares do imóvel são considerados joias da engenharia baiana e foram premiados nacionalmente por sua arquitetura.
Dono de construtora
O deputado federal é sócio da MRM Construtora Ltda. A empresa foi fundada em 1974 por seu pai, o ex-deputado federal Félix Mendonça, que morreu em 2020, aos 92 anos.
A obra do Edifício Mansão Wildberger foi executada por um consórcio formado pelas empresas João Fortes Engenharia S/A e MRM Construtora Ltda.
À época da construção do prédio, o nome do político esteve envolvido em uma polêmica que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Isso porque, para que o edifício fosse erguido, seria necessária a demolição de um imóvel conhecido como “Mansão Wildberger”. No entanto, a edificação ficava no entorno da Igreja Nossa Senhora da Vitória, um dos primeiros templos católicos do Brasil Colônia, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em meados de 2007, o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) denunciou Mendonça e outras quatro pessoas pela suposta prática de crime ambiental, além dos crimes de desobediência e coação no curso do processo.
No fim de 2013, porém, o Plenário do STF absolveu sumariamente o deputado federal Félix de Almeida Mendonça Júnior (PDT-BA) e os outros quatro corréus.
A operação
Nesta terça-feira (13), a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao político. As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro Kassio Nunes Marques, do STF, que também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A nova fase da operação foi possível após o avanço das investigações envolvendo o assessor de Félix Mendonça Júnior, Marcelo Chaves Gomes, alvo da 4ª fase da Operação Overclean, em junho de 2025.
À época, Marcelo foi apontado como operador de um esquema que teria liberado emendas parlamentares mediante pagamento de propina, direcionado licitações e atuado como braço financeiro do grupo.
O material apreendido contra o assessor sustentou o entendimento da PF de que havia lastro probatório suficiente para alcançar o núcleo político, agora personificado na 9ª fase da operação.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa do deputado federal afirmou que o parlamentar recebeu a notícia da ação da Polícia Federal (PF) com surpresa e alegou que o político é inocente.
“O parlamentar lamenta a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral, motivo pelo qual defende que a apuração ocorra de forma célere e responsável.”
O texto diz, ainda, que o deputado jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas.






















