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Mirelle Pinheiro

Liquidação do Banco Master barra acordo de R$ 3 bilhões com árabes

A decisão do BC foi oficializada em ofício assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo

18/11/2025 08:23, atualizado 18/11/2025 09:15
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Raphael Ribeiro/BCB
Imagem colorida do Banco Central do Brasil

O Banco Central decretou nesta terça-feira (18/11) a liquidação extrajudicial do Banco Master e colocou a instituição sob administração especial temporária por 120 dias.

A medida atinge todo o conglomerado controlado por Daniel Vorcaro, preso nesta manhã pela Polícia Federal, e interrompe de imediato qualquer negociação de compra em andamento, incluindo a proposta feita ontem pela Fictor Holding, que havia anunciado aportes bilionários e a entrada de investidores dos Emirados Árabes Unidos.

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Ao todo, os policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco unidades da Federação
A deflagração da operação ocorre um dia depois de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o grupo de participações Fictor
Os investigados serão ouvidos pela Polícia Federal e podem responder a processos criminais
A PF também deve aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados após Operação Compliance
A Operação Compliance Zero tem como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional,  entre elas o Banco de Brasília (BRB), onde policiais fazem buscas
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A Operação Compliance Zero tem como alvo um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, entre elas o Banco de Brasília (BRB), onde policiais fazem buscas

Michael Melo/Metrópoles
Ao todo, os policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco unidades da Federação
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Ao todo, os policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão em cinco unidades da Federação

Michael Melo/Metrópoles
A deflagração da operação ocorre um dia depois de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o grupo de participações Fictor
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A deflagração da operação ocorre um dia depois de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, em parceria com o grupo de participações Fictor

Divulgação/PF
Os investigados serão ouvidos pela Polícia Federal e podem responder a processos criminais
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Os investigados serão ouvidos pela Polícia Federal e podem responder a processos criminais

Divulgação/PF
A PF também deve aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados após Operação Compliance
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A PF também deve aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados após Operação Compliance

Divulgação/PF

O banco estava sob desconfiança do mercado desde que passou a ofertar CDBs com remuneração muito acima da média para atrair investidores, em alguns casos, com taxas até 40% superiores à referência básica.

O custo dessa estratégia, somado a apostas consideradas agressivas em precatórios e empresas em dificuldades financeiras, comprometeu a liquidez da instituição.

A decisão do BC foi oficializada em ofício assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

No documento, a autoridade monetária afirma que a liquidação foi determinada devido à “deterioração da situação econômico-financeira, comprometimento da liquidez e descumprimento de determinações regulatórias”, além do desrespeito a normas básicas de funcionamento do sistema bancário.

A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada como administradora temporária.

Na prática, a liquidação extrajudicial retira o banco do sistema financeiro e transfere seu controle a um liquidante, que passa a encerrar operações, vender ativos e pagar credores na ordem fixada pela legislação, até que a instituição deixe de existir formalmente.

Prisão de Vorcaro e operação da PF

A intervenção do BC coincidiu com a prisão de Daniel Vorcaro em Guarulhos, alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal também nesta terça-feira.

Segundo a PF, o grupo ligado ao ex-controlador do Master é suspeito de fabricar carteiras de crédito fictícias, sem lastro real, e vendê-las como títulos válidos dentro do sistema financeiro.

As investigações começaram em 2024 a pedido do Ministério Público Federal e apontam que, após fiscalização do Banco Central, os papéis fraudulentos teriam sido substituídos às pressas por outros ativos igualmente irregulares, numa tentativa de ocultar a fraude. A PF apura crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

A jogada da Fictor e o anúncio que não durou 24 horas

Nesta segunda-feira (17), a Fictor Holding Financeira, patrocinadora do Palmeiras e dona de participações em empresas de infraestrutura, serviços financeiros e alimentação, assinou uma proposta para comprar o Banco Master com injeção emergencial de R$ 3 bilhões.

O consórcio incluía investidores dos Emirados Árabes Unidos e previa reestruturação imediata da instituição. O anúncio foi recebido como um possível resgate do banco, mas não resistiu nem um dia.

Com a liquidação decretada pelo Banco Central, o negócio está automaticamente suspenso. Qualquer negociação, inclusive a da Fictor, só poderia prosseguir após o encerramento do processo e mediante autorização formal das autoridades, o que na prática inviabiliza a operação.