Mirelle Pinheiro

Acusado de ordenar morte de PM, Marcola tem processo parado há 20 anos

Marcola é suspeito de coordenar um dos ataques mais letais de São Paulo. A onda de violência, em 2006, resultou na morte de 59 agentes

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
Marcola, chefe do PCC
1 de 1 Marcola, chefe do PCC - Foto: Arte/Metrópoles

O Brasil vive um contraste gritante entre a rapidez das ações policiais e a lentidão do sistema de Justiça. Enquanto o Rio de Janeiro executou, em outubro deste ano, uma das maiores operações de sua história recente, um processo crucial contra Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), segue paralisado há quase 20 anos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele é suspeito de coordenar um dos ataques mais letais de São Paulo. A onda de violência, em 2006, resultou na morte de 59 agentes públicos e em rebeliões em 74 presídios paulistas.

Fontes de órgãos de segurança ouvidas pela coluna apontam que a estagnação de um processo dessa relevância, que envolve o principal líder da maior facção criminosa do país, expõe a dificuldade do Judiciário em dar respostas rápidas a casos estratégicos.

Acusado de ordenar morte de PM, Marcola tem processo parado há 20 anos - destaque galeria
19 imagens
Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança
Marcola saindo do Hospital de Base
Marcola é apontado como chefe do PCC
líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola
Marcola está na Penitenciária Federal do DF
Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança
1 de 19

Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança
2 de 19

Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança

Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Marcola saindo do Hospital de Base
3 de 19

Marcola saindo do Hospital de Base

Arquivo cedido ao Metrópoles
Marcola é apontado como chefe do PCC
4 de 19

Marcola é apontado como chefe do PCC

Arquivo pessoal
líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola
5 de 19

líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola

Reprodução
Marcola está na Penitenciária Federal do DF
6 de 19

Marcola está na Penitenciária Federal do DF

Hugo Barreto/ Metrópoles
Marcola cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília
7 de 19

Marcola cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Marcola, líder do PCC
8 de 19

Marcola, líder do PCC

Hugo Barreto/Metrópoles
Ao menos 90 policiais foram mobilizados para a escolta do preso
9 de 19

Ao menos 90 policiais foram mobilizados para a escolta do preso

Hugo Barreto/Metrópoles
Marcola estava em Porto Velho e foi transferido para a Papuda
10 de 19

Marcola estava em Porto Velho e foi transferido para a Papuda

Hugo Barreto/Metrópoles
Equipes de policiais contaram com integrantes de diferentes corporações e grupamentos
11 de 19

Equipes de policiais contaram com integrantes de diferentes corporações e grupamentos

Hugo Barreto/Metrópoles
Marcola chamou Soriano de "psicopata"
12 de 19

Marcola chamou Soriano de "psicopata"

Hugo Barreto/Metrópoles
Equipes usaram helicóptero para transportá-lo da penitenciária ao hospital
13 de 19

Equipes usaram helicóptero para transportá-lo da penitenciária ao hospital

Vinicius Schmidt/Metrópoles
Marcola está preso há 26 anos
14 de 19

Marcola está preso há 26 anos

Hugo Barreto/Metrópoles
Agente do Gaep usa um dos fuzis IMBEL 7,62 Parafal durante transferência de Marcola para Brasília
15 de 19

Agente do Gaep usa um dos fuzis IMBEL 7,62 Parafal durante transferência de Marcola para Brasília

Hugo Barreto/Metrópoles
Detento passou por exames de rotina
16 de 19

Detento passou por exames de rotina

Hugo Barreto/Metrópoles
Marcola está detido na Penitenciária Federal de Brasília
17 de 19

Marcola está detido na Penitenciária Federal de Brasília

Hugo Barreto/Metrópoles
Marcola: líder do PCC é levado a hospital no DF sob forte esquema de segurança
18 de 19

Marcola: líder do PCC é levado a hospital no DF sob forte esquema de segurança

Hugo Barreto/Metrópoles
Marcola escoltado no Hospital Regional do Gama (HRG)
19 de 19

Marcola escoltado no Hospital Regional do Gama (HRG)

Hugo Barreto/Metrópoles

O processo

O processo judicial, que tramita desde setembro de 2006, imputa a Marcola o papel de mandante do assassinato do policial militar Nelson Pinto e da tentativa de homicídio contra o PM Marcelo Henrique dos Santos Moraes, em Jundiaí.

Os crimes ocorreram em 12 de maio de 2006, na explosão de violência que marcou a resposta do PCC à transferência de seus líderes, incluindo Marcola, para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Naquele dia, dois policiais foram atacados a tiros enquanto patrulhavam a Rua Senador da Fonseca. Nelson Pinto morreu na hora; seu parceiro sobreviveu.

A denúncia do Ministério Público de São Paulo afirma que Marcola e Júlio César Guedes de Moraes, o “Julinho Carambola”, “determinaram a todos os seus integrantes que matassem policiais civis e militares e demais autoridades a partir de 12 de maio”. A ordem, segundo o MPSP, foi repassada a células da facção em Jundiaí.

Com base nisso, o líder do PCC foi denunciado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, ambos a serem julgados pelo Tribunal do Júri. Quase 20 anos depois dos ataques, o caso permanece sem sentença definitiva.

A ação está parada no STJ, após um pedido de vistas apresentado por uma das partes.

Em 2023, a Justiça paulista chegou a revogar a prisão preventiva de Marcola no caso Jundiaí por excesso de prazo. Ele não foi solto porque cumpre outras penas.

A posição da defesa

Em nota, o advogado de Marcola, Bruno Ferullo, criticou a lentidão da Justiça e afirmou que o processo viola princípios constitucionais, entre eles o da razoável duração processual.

Segundo a defesa, manter um procedimento pendente por tantos anos configura “pena antecipada”, afronta o princípio da presunção de inocência e pode levar à prescrição ou nulidade do caso.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?