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Mirelle Pinheiro

Acusada de matar irmãos com ovo de Páscoa vai a júri nesta segunda

O julgamento ocorre após o encerramento dos recursos apresentados pela defesa, que tentou anular a decisão que levou o caso ao júri

22/06/2026 09:34
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Polícia Civil do Maranhão
Acusada de matar irmãos com ovo de Páscoa vai a júri nesta segunda

Um dos crimes de maior repercussão do Maranhão nos últimos anos chega ao Tribunal do Júri nesta segunda-feira (22/6). A esteticista Jordélia Pereira Barbosa será julgada sob a acusação de ter enviado um ovo de Páscoa envenenado que matou duas crianças e deixou a mãe delas em estado grave, em Imperatriz, no sudoeste do estado.

Presa desde 17 de abril de 2025, Jordélia responde por dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio contra Mirian Lira, que sobreviveu após passar dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As vítimas fatais foram os irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13.

O julgamento ocorre após o encerramento dos recursos apresentados pela defesa, que tentou anular a decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri. Os advogados também pediram a desclassificação dos crimes e a substituição da acusação de tentativa de homicídio por lesão corporal, mas os pedidos foram rejeitados.

Segundo a investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Maranhão, o crime ocorreu na noite de 16 de abril de 2025. Um motoboy entregou à família um ovo de Páscoa acompanhado de um bilhete com a frase: “Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa”.

Pouco depois de consumirem o chocolate, Mirian e os dois filhos passaram mal. Luiz Fernando morreu horas depois de ser internado. Evelyn resistiu por cinco dias, mas morreu em 22 de abril. Mirian sobreviveu após receber atendimento intensivo.

Para os investigadores, a mãe das crianças era o alvo principal do ataque. O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por ciúmes, já que Mirian mantinha um relacionamento com o ex-companheiro da acusada.

As apurações indicam que Jordélia viajou cerca de 380 quilômetros entre Santa Inês e Imperatriz para colocar o plano em prática. Imagens de câmeras de segurança, registros de compras, depoimentos e exames periciais ajudaram a reconstruir a sequência dos fatos.

A Polícia Civil também concluiu que, dias antes do envio do ovo de Páscoa, a acusada teria tentado atingir Mirian no local onde ela trabalhava, oferecendo chocolates aos funcionários. Sem sucesso, ela teria mudado a estratégia e decidido encaminhar o produto para a residência da vítima.

Laudos periciais identificaram a presença de substância tóxica no chocolate consumido pela família e nos corpos das duas crianças. Segundo a investigação, vestígios do mesmo material também foram encontrados em objetos apreendidos com Jordélia no momento da prisão.

Ela foi capturada dentro de um ônibus, quando tentava retornar para Santa Inês. Com a suspeita, os policiais apreenderam perucas, óculos, lentes de contato, um crachá falso, bilhetes de viagem, comprovantes da compra dos chocolates, além de luvas, máscaras e um frasco contendo a substância apontada pela perícia.

Em audiência realizada durante a instrução do processo, a defesa pediu a realização de exame psicológico para avaliar eventual inimputabilidade da acusada. O pedido foi negado pelo juiz Glender Malheiros, da 2ª Vara Criminal de Imperatriz, que entendeu não haver elementos capazes de justificar a medida.

Na decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri, o magistrado afirmou que as provas reunidas apontam indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, cabendo aos jurados decidir sobre a responsabilidade da acusada.