Bispo processa Allan dos Santos por ataques à missão pastoral
Segundo a ação contra Allan dos Santos, trata-se de um ataque à identidade de Vicente Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora, na BA

Vicente Ferreira, bispo de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia (na foto em destaque, com papa Francisco), entrou na Justiça contra o influenciador Allan dos Santos, da Timeline, após ser alvo de uma sequência de agressões nas redes sociais.
Os ataques foram dirigidos a uma publicação em que o bispo defendia a CNBB diante de declarações da família Bolsonaro e invocava a proteção de Nossa Senhora Aparecida: “Valei-nos, Mãe Aparecida! Nossa rainha e padroeira”.
Na transmissão de 28 de setembro, Allan exibiu a postagem e passou a atacar pessoalmente o religioso, ampliando as ofensas a todos os bispos da CNBB.
Allan, que se declara católico e é ex-seminarista, chamou dom Vicente de “verme”, afirmou que ele “serve a Lúcifer” e empregou insultos homofóbicos, referências sexuais e ataques escatológicos do mais baixo nível. As agressões procuravam desqualificar sua própria condição religiosa, com expressões como “bispos de Satanás” e “cloaca de Satanás”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo a ação, trata-se de um ataque à identidade que organiza sua vida pública, seu ministério e sua relação com os fiéis. A extensão das agressões ao conjunto dos bispos amplia a desqualificação da própria atuação da Igreja.
A ação pede a retirada urgente dos conteúdos ofensivos e que Allan não volte a reproduzir as agressões. Ao final, requer resposta pública, por meio de retratação nos mesmos canais dos ataques, com destaque equivalente e permanência mínima de 30 dias.
Um estudo dos comentários na publicação de dom Vicente Ferreira mostra que o número de respostas quase dobrou: passou de 1.619, em uma captura anterior à live, para 3.079 em 1º de outubro, após a transmissão em que Allan atacou o bispo. O levantamento documenta insultos e tentativas de desqualificação religiosa entre os comentários, que também incluem apoios e debates.
Histórico de ataques
Allan integra o núcleo duro do bolsonarismo nos Estados Unidos e mantém proximidade com Eduardo Bolsonaro, com quem atua politicamente naquele país. Os dois participaram de uma live conjunta na sexta-feira, 2 de outubro.
O episódio se insere em um histórico documentado de ataques à CNBB e aos seus bispos desde 2018. Essa hostilidade também parte de setores fundamentalistas do próprio catolicismo, além de setores evangélicos.
O relatório sobre os ataques à conferência retoma um diagnóstico do Observatório da Comunicação Religiosa: já em 2024, o organismo descrevia uma “estratégia articulada de ataques à Igreja”, com campanhas contra a Campanha da Fraternidade e tentativas de desautorizar os bispos.
O alerta alcançava os efeitos desses discursos sobre a pastoral e a evangelização, com disseminação de medo, violência simbólica e divisão dentro da Igreja.












