Mario Sabino

Uma “Operação Salva Alexandre de Moraes” está em curso em Brasília

No tabuleiro do caso Master, a peça do STF a ser sacrificada em troca da salvação de Moraes é Dias Toffoli

atualizado

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Igo Estrela/Metrópoles
Lula cochichando ao ouvido de Alexandre de Moraes -- Metrópoles
1 de 1 Lula cochichando ao ouvido de Alexandre de Moraes -- Metrópoles - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

É um óbvio ululante que está em curso uma “Operação Salva Alexandre de Moraes” em Brasília. No tabuleiro do caso Master, a peça do STF a ser sacrificada em troca da salvação de Moraes é, obviamente, Dias Toffoli, ao que tudo indica um caso perdido diante das novas provas que a PF supostamente tem contra ele.

De acordo com a jornalista Malu Gaspar, Lula estaria articulando a licença do ministro, seguida da renúncia ao seu cargo. “O presidente tem dito a pessoas próximas ter sido informado de que o que já se tornou público até agora a respeito da relação de Toffoli com o grupo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seria apenas um aperitivo do que ainda pode vir à tona”, afirma a jornalista.

Casa-se com a informação que publiquei ontem, sem citar nomes: a de que o ministro André Mendonça, relator do caso, foi procurado por advogados da antiga equipe de defesa de Vorcaro, que lhe propuseram entregar um ministro e preservar outro, em eventual delação do estelionatário. O ministro que se queria preservar era Moraes.

Lula deseja blindar Moraes por ser grato ao ministro, que teria garantido a sua posse ao abortar o suposto golpe, e por ter receio de que, como ele está muito associado ao governo, a sua dêbacle poderia contaminar o chefão petista e a sua gestão.

Suposição que conspira a favor do plano de Lula é a de que, ao contrário do que ocorre com Toffoli, a PF não teria até o momento nada que implique Moraes em práticas criminosas.

O contrato de R$ 129 milhões do escritório da mulher do ministro com o Banco Master teria aspecto de lavagem de dinheiro, mas não haveria prova concreta de que o seja.

Quanto às mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, no dia da primeira prisão do dono do finado Master, não foi possível, até agora, recuperar as imagens das respostas do ministro, que ele escreveu no bloco de notas do celular, fotografou e enviou por WhatsApp como mensagem temporária para não deixar rastros.

Toffoli  se dobrará à vontade de Lula? Não, ele não está disposto a se afastar do STF. Acha que nada mais surgirá contra ele, como se não fossem suficientes os R$ 35 milhões que a máfia de Vorcaro desembolsou naquelas transações suspeitas em torno do resort Tayayá.

Escândalos têm dinâmica própria, e a magnitude do caso Master leva a crer que ninguém será capaz de controlar o seu desenrolar, ainda que Vorcaro venha a fazer uma delação fajuta e poupe tanto Toffoli como Moraes ou entregue o primeiro e não o segundo. Há a Polícia Federal que não se rende, há outros implicados sem poder político querendo se safar, há o jornalismo investigativo, há parlamentares com sangue nos olhos e há o relator André Mendonça, um homem com sede de justiça, inclusive divina.

Com final combinado ou não, um dos muitos espantos causados pelo caso Master é que, diante do que já veio à tona, Toffoli e Moraes não vejam problema nenhum em continuar como juízes do Supremo, proferindo veredictos em nome do que é justo e certo, acrescidos de lições de moral. E, como se não bastasse, ainda há o presidente da República querendo blindar um deles.

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