Moraes compara esquema envolvendo deputados do PL à máfia italiana.
Ministro afirma que grupo mantinha “contabilidade da propina” e cobrança estruturada em esquema com emendas

Ao votar para condenar três deputados do Partido Liberal (PL) por corrupção passiva em caso de suposto desvio de emendas parlamentares, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou o esquema à máfia italiana.
Em voto apresentado na tarde desta terça-feira (17/3), Moraes afirmou que o grupo composto por Josimar Cunha Rodrigues (PL-MA), conhecido como Josimar Maranhãozinho; Gildenemir de Lima Sousa (PL-MA), o Pastor Gil; e João Bosco da Costa (PL-SE), o Bosco Costa, mantinha um controle de valores relacionados às emendas e utilizava cobranças estruturadas, com divisão de quantias e pressão sobre os envolvidos.
“Parece aqui, presidente [ministro Flávio Dino], que ninguém viu (sic) nem precisava conhecer a história, mas ninguém viu o filme Os Intocáveis? Tinha o Sean Connery, que era um deles, e o principal, que agora me fugiu o nome, Kevin Costner. Mesmo que não conhecesse a história, Al Capone foi pego pelo livro de contabilidade”, disse Moraes, ao citar a existência de uma tabela de pagamentos entre Maranhãozinho e Bosco Costa.
Moraes prosseguiu: “Aqui continuam fazendo a contabilidade, continuam enviando e depositando. Então tem o depósito, tem a contabilidade, tem a prestação de contas. E, assim como a máfia italiana nos Estados Unidos, havia o cobrador e, se começasse a demorar, havia o Pacovan [Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan]. Tinha violência e grave ameaça para cobrança”.
O ministro pontuou ainda que, ao acompanhar o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, ficou demonstrada, ao longo da ação penal, a existência de uma estrutura voltada à prática de um mesmo crime, com um padrão de atuação entre os parlamentares, que está sob investigação da Polícia Federal (PF).
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraO voto de Moraes somou-se aos da ministra Cármen Lúcia e do ministro Flávio Dino, além do relator, Cristiano Zanin, consolidando a condenação dos três parlamentares e de outras quatro pessoas por corrupção passiva, com afastamento da acusação de organização criminosa feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O placar é de 4 a 0 pela condenação dos parlamentares. Os ministros também acumulam votos pela absolvição de um dos réus.
Quem foi condenado:
- Josimar Maranhãozinho (PL-MA), por corrupção passiva;
- Pastor Gil (PL-MA), por corrupção passiva;
- Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva;
- João Batista Magalhães, assessor de Josimar Cunha Rodrigues, por corrupção passiva;
- Antônio José da Silva Rocha, apontado como operador, por corrupção passiva;
- Adonis Nunes Martins, operador, por corrupção passiva;
- Abraão Nunes Martins Neto, operador, por corrupção passiva;
- Thales Andrade Costa – absolvido.














