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Manoela Alcântara

Moraes compara esquema envolvendo deputados do PL à máfia italiana. Veja vídeo

Ministro afirma que grupo mantinha “contabilidade da propina” e cobrança estruturada em esquema com emendas

17/03/2026 17:32, atualizado 17/03/2026 18:20
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Rosinei Coutinho/STF
Alexandre de Moraes DPU

Ao votar para condenar três deputados do Partido Liberal (PL) por corrupção passiva em caso de suposto desvio de emendas parlamentares, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou o esquema à máfia italiana.

Em voto apresentado na tarde desta terça-feira (17/3), Moraes afirmou que o grupo composto por Josimar Cunha Rodrigues (PL-MA), conhecido como Josimar Maranhãozinho; Gildenemir de Lima Sousa (PL-MA), o Pastor Gil; e João Bosco da Costa (PL-SE), o Bosco Costa, mantinha um controle de valores relacionados às emendas e utilizava cobranças estruturadas, com divisão de quantias e pressão sobre os envolvidos.

“Parece aqui, presidente [ministro Flávio Dino], que ninguém viu (sic) nem precisava conhecer a história, mas ninguém viu o filme Os Intocáveis? Tinha o Sean Connery, que era um deles, e o principal, que agora me fugiu o nome, Kevin Costner. Mesmo que não conhecesse a história, Al Capone foi pego pelo livro de contabilidade”, disse Moraes, ao citar a existência de uma tabela de pagamentos entre Maranhãozinho e Bosco Costa.

Moraes prosseguiu: “Aqui continuam fazendo a contabilidade, continuam enviando e depositando. Então tem o depósito, tem a contabilidade, tem a prestação de contas. E, assim como a máfia italiana nos Estados Unidos, havia o cobrador e, se começasse a demorar, havia o Pacovan [Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan]. Tinha violência e grave ameaça para cobrança”.

O ministro pontuou ainda que, ao acompanhar o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, ficou demonstrada, ao longo da ação penal, a existência de uma estrutura voltada à prática de um mesmo crime, com um padrão de atuação entre os parlamentares, que está sob investigação da Polícia Federal (PF).

O voto de Moraes somou-se aos da ministra Cármen Lúcia e do ministro Flávio Dino, além do relator, Cristiano Zanin, consolidando a condenação dos três parlamentares e de outras quatro pessoas por corrupção passiva, com afastamento da acusação de organização criminosa feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O placar é de 4 a 0 pela condenação dos parlamentares. Os ministros também acumulam votos pela absolvição de um dos réus.

Quem foi condenado:

  • Josimar Maranhãozinho (PL-MA), por corrupção passiva;
  • Pastor Gil (PL-MA), por corrupção passiva;
  • Bosco Costa (PL-SE), por corrupção passiva;
  • João Batista Magalhães, assessor de Josimar Cunha Rodrigues, por corrupção passiva;
  • Antônio José da Silva Rocha, apontado como operador, por corrupção passiva;
  • Adonis Nunes Martins, operador, por corrupção passiva;
  • Abraão Nunes Martins Neto, operador, por corrupção passiva;
  • Thales Andrade Costa – absolvido.
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Ministro Alexandre de Moraes
Ministro Flávio Dino
Ministra Cármen Lúcia
Ministro Cristiano Zanin
Julgamento envolve deputados do PL
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Câmara dos Deputados
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Ministra Cármen Lúcia
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