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Mario Sabino

Tentar calar a voz da imprensa não é exclusivo de Daniel Vorcaro

Vorcaro está no lugar de onde nunca deveria ter saído: em cana. Criminoso perigoso, ele é produto de um ambiente de corrupção e intimidação

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Daniel Vorcaro saindo da prisão -- Metrópoles
1 de 1 Daniel Vorcaro saindo da prisão -- Metrópoles - Foto: Fraga Alves/Metrópoles

Daniel Vorcaro está no lugar de onde nunca deveria ter saído: em cana. O sujeito é um criminoso de altíssima periculosidade.

Ele usou um banco como fachada para praticar um estelionato bilionário, que não passava de pirâmide financeira. O estelionato já pode ser considerado a maior fraude da história bancária do país.

Ao preço de dezenas de milhões de reais e do oferecimento de vinhos caros, charutos cubanos e prostitutas importadas da Europa, Vorcaro comprou proteção no Legislativo e na cúpula do Judiciário.

Não bastassem o estelionato e o suborno, agora sabemos que, por meio de um sujeito chamado Phillipi de Moraes Mourão, cujo apelido sugestivo é Sicário, Vorcaro invadiu os sistemas da PF, do MP e, pasme, do FBI.

Na justificativa da decretação da prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça diz que o tal Sicário acessava os sistemas para realizar “consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”.

Fomos informados ainda de que Vorcaro vinha monitorando, para fins de intimidação, concorrentes, ex-funcionários e jornalistas. O monitoramento era feito por meio de Sicário e de outros vagabundos da mesma laia, que integravam um grupo de WhatsApp organizado por Vorcaro. Nome do grupo: “A Turma”.  Era a sua “milícia privada”, de acordo com a PF.

Um dos integrantes dessa turma da pesada era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, comprador do resort Tayayá, que pertencia ao ministro Dias Toffoli. Zettel também teve a sua prisão decretada por André Mendonça.

Em relação ao jornalista Lauro Jardim, Vorcaro planejava dar um passo além: atentar contra a integridade física do colunista de O Globo. Era um método seu, ao que tudo indica — em relação a uma empregada que supostamente o ameaçava, ele queria “moer essa vagabunda”, conforme escreveu em mensagem endereçada à sua milícia privada.

Sobre o jornalista, a PF encontrou a seguinte conversa entre Vorcaro e Sicário:

“Mourão: Esse Lauro Jardim bate cartão todo domingo? hrs hein Lanço uma nova sua? Positiva.

DV: Sim

Mourão: Cara escroto.

DV: Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele.

MOURÃO: Vou fazer isto.

DV: Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”

Na sua decisão, o ministro André Mendonça afirma que o atentado que se planejava contra o jornalista tinha o objetivo mais amplo de “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

Tentar calar a voz da imprensa que ousa contrariar interesses privados não é exclusividade de Daniel Vorcaro.

Esse criminoso de altíssima periculosidade é produto de um ambiente de corrupção, impunidade, intimidação e violência que tomou conta da vida nacional e das instituições brasileiras, hoje encabeçadas por gente não muito diferente de Daniel Vorcaro.

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