Mario Sabino

STF: Fachin e os moleques de recados da imprensa

O STF tem moleques de recados na imprensa. Quer dizer, alguns ministros do STF os têm, aqueles lá que se acham acima do bem e do mal

atualizado

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Luiz Edson Fachin, presidente do STF -- Metrópoles
1 de 1 Luiz Edson Fachin, presidente do STF -- Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

O STF tem moleques de recados na imprensa. Quer dizer, alguns ministros do STF os têm, aqueles lá que se acham acima do bem e do mal.

O recado mais recente vem sendo endereçado ao presidente da corte, Edson Fachin. Aqueles ministros lá mandaram os seus moleques de recado na imprensa dizer que o código de conduta que ele está elaborando, baseado na experiência alemã, não vai contar com a aprovação da maioria dos integrantes do tribunal e que, portanto, é bom Fachin deixar de história.

Para torpedear a iniciativa muito bem-vinda por todos os que, de fato, prezam a instituição, aqueles ministros lá justificam que esta não é uma boa hora, porque o código de conduta pode fragilizar a imagem do tribunal, expondo conflitos entre os ministros no momento em que é preciso mostrar coesão após a reação ao 8 de janeiro e a condenação de Jair Bolsonaro.

Francamente, é falta de pudor tentar fazer crer que uma ação saneadora levada a cabo internamente poderia enfraquecer o STF. É justamente o contrário: mostraria que o tribunal está consciente das barbaridades éticas cometidas por alguns ministros e que é forte o suficiente para enquadrá-los por meio de um mecanismo de autocontrole.

Como escrevi aqui, o STF é um trem descarrilado que tem de voltar urgentemente ao trilhos dos quais nunca deveria ter saído.

Há seis anos, desde a abertura do inquérito das fake news, o tribunal atropela a Constituição que deveria defender, e ministros seus, aproveitando-se do status autoconferido de paladinos da democracia, sentem-se cada vez mais livres para buscar e defender interesses pessoais, de amigos ou de amigos dos amigos.

O caso do Banco Master é o mais escandaloso nesse sentido. Há exatamente uma semana, por exemplo, publicou-se a notícia espantosa de que o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes firmou um contrato de R$ 129 milhões com o banco, cujo escopo levanta uma miríade de indagações.

Elas, ao que parece, ficarão sem resposta, e não apenas porque a imprensa, cheia de moleques de recado, mostra pouco interesse em investigar. Tão inacreditável quanto a quantia multimilionária é o silêncio sepulcral do ministro sobre o assunto, como se ele não tivesse satisfação a dar à sociedade.

É por causa desse tipo de situação que Luiz Edson Fachin vê a necessidade da adoção de um código de conduta. Só quem tem conduta discutível tem motivo para ser contra.

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