Mario Sabino

Sem explicar a ligação com Vorcaro, Moraes segue atacando liberdades

Moraes não explica o contrato da sua mulher com o Master, nem a troca de mensagens com Vorcaro. Limita-se a fazer mais do mesmo

atualizado

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Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela
Alexandre de Moraes e Flávio Dino -- Metrópoles
1 de 1 Alexandre de Moraes e Flávio Dino -- Metrópoles - Foto: <p>Igo Estrela/Metrópoles<br /> @igoestrela</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

O ministro Alexandre de Moraes segue sem dar nenhuma explicação convincente sobre o contrato de R$ 129 milhões que o escritório da sua mulher assinou com o Banco Master.

A nota divulgada pela doutora Viviane Barci de Moraes, elencando as tarefas que o seu escritório teria cumprido para o cliente, deixou ainda mais evidente que a bolada milionária não se justifica para os serviços advocatícios supostamente prestados.

Moraes também ainda não explicou por que trocou mensagens com Daniel Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro.

A sua negativa de negar que era ele o destinatário das mensagens foi desmentida categoricamente, assim como a negativa de que nunca esteve na casa de Vorcaro, em Brasília. Ele foi visto duas vezes lá, fumando charutos cubanos e tomando vinhos caros, como revelou o Metrópoles.

O que o ministro vem fazendo é mais do mesmo: atacar as liberdades de expressão e de imprensa.

É mais do mesmo, mas isso não torna a coisa minimamente admissível. Pelo contrário, só vai alargando a convicção geral de que Moraes e os ministros que se acumpliciam com ele são liberticidas até a medula.

O ataque à liberdade de expressão e de imprensa ocorreu agora no Maranhão. A família de Flávio Dino vinha utilizando para fins particulares um carro funcional do Tribunal de Justiça do estado, em exemplo de que o patrimonialismo é o esporte nacional.

No seu blog, o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida denunciou o fato. Depois da denúncia, o STF se apressou em enviar ao tribunal maranhense o pedido de um carro para o ministro Dino.

Na sequência, Moraes mandou a PF fazer busca e apreensão, domiciliar e pessoal, contra o jornalista, alegando que Luís Pablo cometia “crime de perseguição”. A acusação é a de que o jornalista estava monitorando o veículo destinado a Dino e colocando em risco a vida do ministro.

A PF foi autorizada a recolher e a examinar computadores, celulares e tablets, inclusive de pessoas que estivessem com o jornalista no momento da busca e apreensão. Se você pensou em quebra de sigilo de fonte e pesca probatória, acertou.

Como não poderia deixar de ser, em se tratando de Moraes, a arbitrariedade foi cometida na moldura daquela outra arbitrariedade que já dura quase sete anos, o inquérito das fake news.

Não sei que apito toca o jornalista Luís Pablo. Parece que ele tem alguma ligação com o governador Carlos Brandão, de quem Dino é inimigo. Não importa, a não ser para constatar que Moraes e Dino agiram, mais uma vez, politicamente. Nesse caso, lançando mão de intimidação.

Como afirmaram conjuntamente a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais, “a atividade jornalística, independentemente do veículo e de sua linha editorial, conta com proteção constitucional do sigilo de fonte. Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercício do jornalismo”.

Completo que a violência sofrida pelo jornalista maranhense deve ser interpretada como recado a todos os jornalistas brasileiros: não se atrevam a fiscalizar e a investigar ministros do STF.

Recado recebido e rasgado: Moraes, Dino, Toffoli e quem mais for podem perder a ilusão autoritária, que continuaremos fiscalizando e investigando.

O contrato da mulher de Moraes com o Banco Master era de R$ 129 milhões (dos quais quase R$ 80 milhões foram embolsados), e o ministro trocou mensagens com Vorcaro no dia da primeira prisão do estelionatário, logo apagadas automaticamente porque enviadas na forma de imagens temporárias. Não há nenhuma mensagem de Vorcaro para a advogada contratada a peso de ouro. Donde.

PS: Nunes Marques não cedeu às pressões do Centrão e de colegas de corte e votou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro, formando maioria na Segunda Turma do STF.

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