Manoela Alcântara

O argumento de Moraes para negar visita de assessor de Trump a Bolsonaro

A defesa de Bolsonaro havia pedido a autorização para que Darren Beattie visitasse o ex-presidente na Papudinha. Itamaraty viu “ingerência”

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Alexandre de Moraes
1 de 1 Alexandre de Moraes - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

Após declaração do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a visita do assessor sênior do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.

Moraes considerou a colocação do Itamaraty de que “a realização da visita de Darren Beattie, requerida pela defesa de Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, considerou Moraes.

Os advogados do ex-presidente pediram ao ministro Alexandre de Moraes autorização para a visita de Beattie. O ministro concordou, em um primeiro momento, apesar de a defesa de Bolsonaro ter solicitado uma nova data para o encontro.

Em documento encaminhado ao STF, Vieira afirmou que o encontro do assessor com Bolsonaro pode configurar ingerência em assuntos internos do Brasil.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro. Recordo que a Corte Internacional de Justiça, em mais de uma oportunidade, ressaltou o caráter costumeiro do princípio da não intervenção”, escreveu Vieira no ofício.

O chanceler prossegue: “O princípio da não intervenção também está insculpido na Organização dos Estados Americanos, em seu art. 3(e), da qual tanto o Brasil quanto os Estados Unidos da América são partes. Ademais, o princípio da não intervenção, enquanto norma costumeira e convencional que vincula o Brasil e os Estados Unidos da América, está expresso na Constituição Federal brasileira, em seu art. 4º, IV, como norma que rege as relações internacionais do Brasil”.

Vieira explicou que o governo brasileiro foi informado da vinda de Beattie ao país para participar de uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões com autoridades brasileiras. Segundo o chanceler, o encontro com Bolsonaro não estava entre os objetivos informados pelo governo Trump quando foi solicitado o visto para a viagem.

Vieira salientou, ainda, que, apesar da ida de Beattie ao Brasil, não houve formalização, até o dia 11 de março, da agenda do assessor no Itamaraty. No governo Trump, ele é responsável por propor e supervisionar as políticas e ações de Washington em relação a Brasília.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?