Itamaraty vê risco de ingerência em visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Chanceler diz que encontro de assessor de Trump a Bolsonaro em ano eleitoral pode indicar ingerência externa

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, indicou que vê risco de ingerência no encontro do assessor sênior do governo Donald Trump, Darren Beattie, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.
Os advogados do ex-presidente pediram ao ministro Alexandre de Moraes autorização para a visita de Beattie. O ministro concordou, apesar de a defesa de Bolsonaro ter solicitado uma nova data para o encontro.
Em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Vieira afirmou que o encontro do assessor com Bolsonaro pode configurar ingerência em assuntos internos do Brasil.
“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro. Recordo que a Corte Internacional de Justiça, em mais de uma oportunidade, ressaltou o caráter costumeiro do princípio da não-intervenção”, escreveu Vieira no ofício.
O chanceler prossegue: “O princípio da não-intervenção também está insculpido na Organização dos Estados Americanos, em seu art. 3(e), da qual tanto o Brasil quanto os Estados Unidos da América são partes. Ademais, o princípio da não-intervenção, enquanto norma costumeira e convencional que vincula o Brasil e os Estados Unidos da América, está expresso na Constituição Federal brasileira, em seu art. 4º, IV, como norma que rege as relações internacionais do Brasil”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraVieira explicou que o governo brasileiro foi informado da vinda de Beattie ao país para participar de uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões com autoridades brasileiras. Segundo o chanceler, o encontro com Bolsonaro não estava entre os objetivos informados pelo governo Trump quando foi solicitado o visto para a viagem.
O chanceler salientou, ainda, que, apesar da ida de Beattie ao Brasil, não houve formalização, até o dia 11 de março, da agenda do assessor no Itamaraty.
Beattie tem autorização para visitar Bolsonaro em 18 de março, mas a defesa do ex-presidente pediu que o encontro ocorra em outra data, devido a compromissos do assessor no país. O assessor integra o segundo mandato de Trump desde outubro de 2025, como funcionário sênior do Departamento de Assuntos Culturais e Educacionais e na área de Diplomacia Pública.
No governo Trump, ele é responsável por propor e supervisionar as políticas e ações de Washington em relação a Brasília.




