Manoela Alcântara

Itamaraty vê risco de ingerência em visita de assessor de Trump a Bolsonaro

Chanceler diz que encontro de assessor de Trump a Bolsonaro em ano eleitoral pode indicar ingerência externa

atualizado

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Câmara quer explicações do Itamaraty sobre retirada de menções a facções em acordo com Argentina e Paraguai sobre segurança regional
1 de 1 Câmara quer explicações do Itamaraty sobre retirada de menções a facções em acordo com Argentina e Paraguai sobre segurança regional - Foto: <p>Hugo Barreto/Metrópoles<br /> @hugobarretophoto</p><div class="m-banner-wrap m-banner-rectangle m-publicity-content-middle"><div id="div-gpt-ad-geral-quadrado-1"></div></div>

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, indicou que vê risco de ingerência no encontro do assessor sênior do governo Donald Trump, Darren Beattie, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.

Os advogados do ex-presidente pediram ao ministro Alexandre de Moraes autorização para a visita de Beattie. O ministro concordou, apesar de a defesa de Bolsonaro ter solicitado uma nova data para o encontro.

Em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Vieira afirmou que o encontro do assessor com Bolsonaro pode configurar ingerência em assuntos internos do Brasil.

“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro. Recordo que a Corte Internacional de Justiça, em mais de uma oportunidade, ressaltou o caráter costumeiro do princípio da não-intervenção”, escreveu Vieira no ofício.

O chanceler prossegue: “O princípio da não-intervenção também está insculpido na Organização dos Estados Americanos, em seu art. 3(e), da qual tanto o Brasil quanto os Estados Unidos da América são partes. Ademais, o princípio da não-intervenção, enquanto norma costumeira e convencional que vincula o Brasil e os Estados Unidos da América, está expresso na Constituição Federal brasileira, em seu art. 4º, IV, como norma que rege as relações internacionais do Brasil”.

Vieira explicou que o governo brasileiro foi informado da vinda de Beattie ao país para participar de uma conferência sobre minerais críticos e para reuniões com autoridades brasileiras. Segundo o chanceler, o encontro com Bolsonaro não estava entre os objetivos informados pelo governo Trump quando foi solicitado o visto para a viagem.

O chanceler salientou, ainda, que, apesar da ida de Beattie ao Brasil, não houve formalização, até o dia 11 de março, da agenda do assessor no Itamaraty.

Beattie tem autorização para visitar Bolsonaro em 18 de março, mas a defesa do ex-presidente pediu que o encontro ocorra em outra data, devido a compromissos do assessor no país. O assessor integra o segundo mandato de Trump desde outubro de 2025, como funcionário sênior do Departamento de Assuntos Culturais e Educacionais e na área de Diplomacia Pública.

No governo Trump, ele é responsável por propor e supervisionar as políticas e ações de Washington em relação a Brasília.

 

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