Mario Sabino

O celular de Vorcaro já deu a primeira alegria: Toffoli

Só depois que a PF descobriu que Toffoli recebeu dinheiro do cunhado de Vorcaro, é que o ministro disse ter sido dono do resort Tayayá

atualizado

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Vinícius Schmidt / Metrópoles
Foto colorida do ministro Dias Toffoli -- Metrópoles
1 de 1 Foto colorida do ministro Dias Toffoli -- Metrópoles - Foto: Vinícius Schmidt / Metrópoles

O celular de Daniel Vorcaro já deu a primeira alegria: Dias Toffoli. Esperemos que não seja a única.

Só depois que a PF conseguiu acessar o conteúdo do aparelho do banqueiro e descobriu que Dias Toffoli recebeu indiretamente dinheiro do dono do Master, é que o ministro do STF admitiu ter sido dono do resort Tayayá, no interior do Paraná.

Foi dono porque é sócio da Maridt, a empresa da qual recebe dividendos e cuja propriedade era até ontem atribuída apenas a seus irmãos. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, comprou a participação da Maridt no resort por meio de um fundo que faz parte da teia criada pelo banqueiro.

A Maridt é uma sociedade anônima, com capital social de míseros R$ 150 e endereço de fachada, em Marília, no interior de São Paulo, como mostrou a coluna de Andreza Matais. Tem, portanto, características de empresa usada para lavar dinheiro, embora ainda não se possa dizer que essa era a sua finalidade.

Diante da descoberta da PF, fica claro que, na sessão em que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes reagiram à iniciativa de Edson Fachin de criar um código de conduta para os integrantes do STF, o ministro sócio da Maridt estava antecipando uma linha de defesa ao dizer que “vários magistrados são donos de empresas, e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”.

Como a PGR de Paulo Gonet se recusa a fazer o seu trabalho no caso das implicações de ministros do STF com o dono do Master (tem-se também o caso da mulher advogada de Moraes, que firmou um contrato mirabolante de R$ 129 milhões com o banco de Vorcaro), coube à PF pedir a Edson Fachin que o STF considerasse Toffoli, bastante presente no celular do banqueiro, suspeito para continuar à frente do inquérito que investiga banco e banqueiro, do qual o ministro sócio da Maridt se assenhorou com argumento que não resistia aos fatos.

As conversas e menções a Toffoli encontradas no celular indicam que a ligação do ministro com Vorcaro era perigosa, o que leva a concluir que, fôssemos um país sério, mais do que suspeito para atuar como juiz do imbróglio protagonizado pelo dono do Master, Toffoli deveria estar na condição de investigado a partir de agora.

Aliás, não se esqueça de que o resort Tayayá pertence hoje, ao menos no papel, a um advogado da J&F, empresa dos irmãos Batista beneficiada por uma decisão do ministro, escandalosa de todos os pontos de vista.

A decisão foi a de anular a multa de R$ 10,3 bilhões a ser paga pela J&F no âmbito do acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal, em desdobramento da Lava Jato — a operação anticorrupção da qual Toffoli se empenha em destruir o legado, em missão aplaudida por pares seus.

Tudo é surpreendente, sem deixar de ser previsível. Toffoli ministro do STF é uma criação de Lula destinada a confusões; ministro do STF que acha que pode fazer o quiser, seja na vida privada ou no tribunal, ignorando conflito de interesses (e que interesses…), é fruto da esculhambação promovida contra o Estado de Direito por quem teria a obrigação de defendê-lo.

O celular de Vorcaro pode ser um Deus ex-machina para o caos institucional brasileiro. Aguardemos os próximos atos.

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