Mario Sabino

O Brasil é Master em corrupção e falta de vergonha

A Transparência Internacional divulgou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) relativo a 2025. Somos um país Master na falta de vergonha

atualizado

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A Transparência Internacional divulgou o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) relativo a 2025. Nesse ranking internacional de honestidade, o Brasil ocupa a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. Ou seja, continuamos a ser um país Master na falta de vergonha.

Quando se examina a série histórica do índice, fica evidente que o país teve o seu melhor momento entre o julgamento do mensalão e o início da Lava Jato.

Naquela época, ainda havia esperança de que a roubalheira nacional poderia baixar aos níveis mínimos irremediáveis em qualquer nação civilizada.

Hoje, depois do desmanche do arsenal anticorrupção promovido pelo STF, com a cumplicidade da imprensa, só nos resta deixar a esperança de lado, como quem adentra o inferno de Dante.

No lugar da esperança, entrou a ignomínia. Em fevereiro de 2024, o ministro Dias Toffoli determinou que se investigasse a atuação da Transparência Internacional no Brasil, levantando a suspeita — infundada — de que a organização tivesse se apropriado de dinheiro público proveniente de acordos de leniência da Lava Jato.

A determinação ocorreu logo após a divulgação do IPC de 2023, que citava como retrocessos as decisões de Toffoli de anular provas do acordo de leniência da Odebrecht e de suspender as multas impostas à J&F.

Dois anos depois, temos o STF de volta à ribalta mundial. No relatório sobre o Brasil, que acompanha o IPC, a Transparência Internacional aborda o caso Master e as suspeitas que pesam sobre Toffoli, que se assenhorou do inquérito que investiga Daniel Vorcaro, e Alexandre de Moraes, cuja mulher advogada firmou um contrato de espantosos R$ 129 milhões com o banco responsável pela maior fraude financeira da história brasileira.

Como não poderia deixar de ser, o escândalo do INSS também consta do relatório. O mar de lama, no entanto, atingiu tal profundeza no país, que a roubalheira bilionária que vitimou aposentados e pensionistas passou a parecer de somenos na comparação com o caso Master.

Daniel Vorcaro e os seus asseclas conseguiram tragar, inapelavelmente, o Judiciário para o lodaçal onde chafurdavam apenas o Executivo e o Legislativo.

“O Brasil chocou o mundo com casos de corrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada, mesmo para corruptos confessos, e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF”, disse Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no país.

Para a massa de brasileiros anestesiados em relação à corrupção, deve ser surpreendente que o mundo ainda fique chocado com o que acontece por aqui.

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