Mais do que fantasia, o alerta de Mauro Vieira é vergonha eleitoreira
De onde o chanceler Mauro Vieira tirou que há risco de ação militar americana no Brasil? Da conveniência eleitoreira para reeleger o chefe

O chanceler Mauro Vieira foi convocado a dar explicações na Comissão de Relações Exteriores da Câmara sobre um ofício enviado à Casa em resposta a um requerimento de informações sobre a decisão americana de designar PCC e CV como organizações terroristas.
No documento, ao criticar a decisão de Washington, o chanceler alerta que há risco de os Estados Unidos usarem força militar em território brasileiro a pretexto de combater essas facções. Como não poderia deixar de ser, a coisa ganhou as manchetes.
De onde Mauro Vieira tirou isso?
Não foi de nenhum relatório da inteligência militar brasileira. Comandantes das Forças Armadas ouvidos pela imprensa disseram ser improvável qualquer ação militar americana no país sem consentimento ou coordenação brasileira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo que saiba, o risco apontado por Mauro Vieira também não é fruto de nenhum relatório confeccionado pela embaixada em Washington a partir de informações objetivas.
Ao ser confrontado com a afirmação de Mauro Vieira, o Departamento de Estado americano a classificou de “absurda”.
“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender o nosso povo contra elas. Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”, declarou o Departamento de Estado.
Como a possibilidade de ocorrer intervenção militar americana em território nacional não tem base na realidade tangível, o documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira só tem uma explicação: incutir nos cidadãos a falsa ideia de que a nossa soberania está gravemente ameaçada pelos americanos.
Para quê? Para vender a imagem de que o governo Lula está empenhado em proteger o país contra as investidas do governo Trump, do qual os bolsonaristas lambem as botas.
Não se esqueça de que o discurso de defesa da soberania foi determinante para tirar o chefão petista do buraco negro nas pesquisas de intenção de voto na eleição presidencial deste ano.
Mais do que uma fantasia, o documento de Mauro Vieira é, portanto, uma vergonha eleitoreira do mesmo naipe da participação de Flávio Bolsonaro na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, nesta semana, com a qual o filho de Jair quis limpar a sua barra no caso das tarifas impostas a produtos brasileiros importados pelos americanos.
Do combate efetivo ao crime organizado à sobrevivência de industriais e produtores rurais, os interesses do país são o que menos importa para ambos os lados que disputam o Palácio do Planalto.
Eles só almejam o poder para continuar fazendo o que sempre fazem quando lá se alojam, e vale tudo para enganar o indistinto público.



