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Mario Sabino

Maçãs podres: juiz que livrou estuprador de menina é acusado de abusos

De alto a baixo, o Judiciário é cheio de maçãs podres. Agora, há a acusação ao juiz que absolveu o estuprador da menina de 12 anos

Repórter de Mario Sabino25/02/2026 12:24, atualizado 25/02/2026 12:25
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Rafaela Felicciano/Metrópoles
Imagem de escultura representando a Justiça -- Metrópoles

De alto a baixo, o Judiciário brasileiro se mostra à altura do país: está cheio de maçãs podres. Agora, temos uma história escabrosa sobre um juiz.

Depois que desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais absolveram um marmanjo que estuprava uma menina de 12 anos, aceitando o argumento indecoroso de que ambos mantinham “vínculo afetivo”, veio à tona que um dos magistrados, justamente o relator do caso, é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por suspeita de praticar abusos sexuais.

Ontem, duas supostas vítimas foram ouvidas por representantes do CNJ. Uma delas, Saulo Lauar, é primo do desembargador. Ele resolveu falar abertamente sobre o assunto depois da divulgação do veredicto que livrou da cadeia o estuprador da menina de 12 anos.

Hoje quarentão, o homem afirma que, quando era adolescente e trabalhava para o togado como office boy, foi alvo de tentativa de abuso sexual da parte do seu parente.

“Estava levando a minha vida com esse trauma da maneira que dava. Mas me vi na obrigação de não deixar isso passar e resolvi denunciar”, disse Saulo ao repórter Bruno Alfano.

O seu relato no Instagram é pungente:

“Ele tentou abusar sexualmente de mim quando eu tinha 14 anos de idade. Quando eu trabalhava para ele. O ato só não se consumou porque eu fugi.

Infelizmente, não tenho vontade de desejar bom dia, porque estou sem dormir direito desde a notícia dessa absolvição do pedófilo.

Estou revivendo uma dor pessoal que guardei por todos esses anos e, apesar de todo tratamento psicológico que ainda faço, a ferida se abriu novamente.

Meu corpo está tenso, dolorido, e a garganta entalada. Cada detalhe do fato retomou seu lugar, como se tivesse acontecido ontem.

Eu pensei na dor que isso poderia causar em vocês e até nele, na mãe dele, na esposa e nos filhos. Mas a dor da menina de 12 anos e de tantas outras crianças é mais forte. É mais importante nesse contexto.

Eu nutria por ele admiração profissional e afeto. Minha mãe confiou a ele um filho adolescente, sonhador e fragilizado.

Essa decisão mostrou a face que eu só conheci e, mesmo assim, quis esconder e tentar apagar.

Eu lamento mais essa dor da exposição, mas ela vem como um pedido: protejam-se, falem alto sobre os seus limites e dores, denunciem. Quando nos calamos, a dor cresce e se espalha, a feridas não cicatrizam e pode ser tarde demais…”

Em comentário à postagem de Saulo Lauar no Instagram, uma mulher, também ouvida pelo CNJ, afirmou que havia sido “vítima dessa mesma pessoa”. Ela trabalhava para a família do desembargador.

Se a Justiça brasileira seguir o seu curso anormal, uma vez provada a sua culpa, beneficiado pela prescrição do crime, o magistrado será apenas afastado do cargo e continuará a receber o salário integral, pago por todos nós.