Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Manoela Alcântara

TCU apura operações de compra de carteiras do Banco Master pelo BRB

Ministério Público junto ao TCU fala em dano “evidente e gravíssimo” ao erário e pede responsabilização em representação

03/02/2026 02:00, atualizado 03/02/2026 07:14
Compartilhar notícia
Rovena Rosa/Agência Brasil
Imagem da sede do Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) - Metrópoles

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma apuração para analisar as operações de aquisição de carteiras de crédito podres do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

A apuração foi instaurada a partir de uma representação apresentada pelo subprocurador-geral do Ministério Público de Contas junto ao TCU, Lucas Furtado, e está sob a relatoria do ministro Jhonatan de Jesus. O relator já conduz outro processo relacionado ao Banco Master, que investiga a liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Com a abertura do procedimento, o TCU vai analisar as operações realizadas pelo BRB para a compra das carteiras do banco controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, além da atuação do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, e de outros agentes públicos envolvidos no caso.


Entenda o caso

  • O TCU investiga a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito podres do Banco Master e possíveis prejuízos ao banco público e ao erário.
  • A apuração foi aberta após representação do Ministério Público de Contas, que aponta indícios de irregularidades e risco ao uso de recursos públicos.
  • A investigação envolve o BRB, os antigos gestores do banco, os integrantes do conselho, além da atuação do Banco Central e de agentes públicos.
  • Técnicos do TCU também realizam uma inspeção no Banco Central para analisar como foi conduzida a liquidação do Banco Master.

O documento, ao qual a coluna teve acesso, é assinado por Lucas Rocha Furtado. O texto também busca apurar eventual prejuízo causado ao banco público do Distrito Federal e, por consequência, ao erário, além da responsabilidade dos envolvidos, com possibilidade de aplicação de sanções e outras medidas cabíveis.

“É inaceitável que recursos públicos sejam colocados em risco dessa forma, especialmente em um país onde tantas áreas essenciais, como saúde, educação e segurança, carecem de investimentos adequados. O dano ao erário, nesse caso, é evidente e gravíssimo”, escreveu o procurador.

Furtado prossegue: “Além disso, a suposta interferência do Diretor de Fiscalização do Banco Central, Sr. Ailton Aquino, ao solicitar que o BRB adquirisse créditos do Banco Master, mesmo diante de indícios claros de irregularidades, é algo que não pode ser ignorado. Essa atitude, se confirmada, pode configurar um desvio de finalidade e um abuso de poder que afrontam diretamente os princípios mais básicos da administração pública, como os da legalidade, moralidade e eficiência”.

O documento também aponta que a apuração deve alcançar gestores do BRB, como o ex-presidente Paulo Henrique Costa, além de integrantes do Conselho de Administração que “possam ter agido de forma negligente ou até mesmo conivente ao aprovar operações que, desde o início, apresentavam sinais claros de irregularidades”.

A fragilidade financeira do Banco Master e a possibilidade de fraude eram alertas que não poderiam ter sido ignorados. No entanto, os gestores parecem ter fechado os olhos para esses sinais, o que levanta sérias dúvidas sobre sua responsabilidade e comprometimento com o interesse público. A negligência ou conivência, nesse caso, é algo que não pode ser tolerado, e os responsáveis devem ser devidamente responsabilizados”, completa o integrante do MP junto ao TCU.

TCU apura operações de compra de carteiras do Banco Master pelo BRB - destaque galeria
4 imagens
Banco Master
Banco Master
Banco Master
Banco Master
1 de 4

Banco Master

Reprodução/Banco Master
Banco Master
2 de 4

Banco Master

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Banco Master
3 de 4

Banco Master

Michael Melo/Metrópoles
Banco Master
4 de 4

Banco Master

Foto: Banco Master

Inspeção

Essa apuração ocorre paralelamente a uma inspeção determinada por Jhonatan de Jesus no BC. Como mostrou a coluna, técnicos do TCU esperam concluir, em até 15 dias, a inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do Master, conforme a coluna mostrou.

O trabalho tem caráter restrito e se limita ao acesso a documentos e à verificação da regularidade do procedimento de liquidação — medida à qual o BC manifestou concordância em reunião realizada há cerca de duas semanas com integrantes da Corte de Contas.

A inspeção é um instrumento de fiscalização utilizado para suprir eventuais omissões, lacunas de informação e esclarecer dúvidas pontuais identificadas no processo. Ministros do TCU já deixaram claro que não há intenção de rever a decisão de liquidação do Master, mas compreender como o procedimento foi conduzido.