STF começa a julgar denúncia contra Eustáquio por associação criminosa
Primeira Turma decide se jornalista vira réu por associação criminosa. Julgamento no plenário virtual segue até 23 de outubro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta sexta-feira (16/10) a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o jornalista Oswaldo Eustáquio por associação criminosa.
O julgamento ocorre no plenário virtual, com encerramento previsto para 23 de outubro. Os ministros vão decidir se recebem a acusação e tornam Eustáquio réu.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o jornalista participou de manifestações contra a diplomação e a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A acusação da PGR também aponta que o jornalista participou de mobilizações em quartéis militares para deslegitimar o sistema eleitoral e atacar o Estado Democrático de Direito.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraRelator do caso, o ministro Alexandre de Moraes liberou o processo para julgamento após determinar, no fim de julho, a intimação dos advogados para apresentação da defesa. A ação tramita sob segredo de Justiça.
O advogado Ricardo Freire Vasconcellos contesta a regularidade da citação e afirma que Eustáquio tem endereço conhecido pelas autoridades brasileiras há três anos. A defesa questiona o uso de edital para notificá-lo e sustenta que o procedimento viola a Constituição.
“Meu cliente está sendo julgado à revelia. Moraes pediu a citação por edital, com o falso argumento de que ele estaria em lugar incerto, sendo que a verdade é que Oswaldo Eustáquio tem endereço fixo há três anos, com ciência do STF e do governo brasileiro, devido ao processo de extradição ajuizado contra ele, procedimento em que o Estado brasileiro foi derrotado por unanimidade. Julgá-lo à revelia será mais um atentado à Constituição”, afirmou a defesa.
Investigação arquivada
Na última semana, conforme a coluna mostrou, Moraes arquivou outra investigação contra Eustáquio. Além dele, a apuração envolvia o senador Marcos do Val (Avante-ES), Allan dos Santos e Ednardo D’Ávila Mello Raposo, por suspeitas de obstrução de investigações e incitação ao crime.
Os quatro haviam sido indiciados pela Polícia Federal (PF) em agosto de 2025. Os investigadores apuraram uma campanha de exposição e intimidação virtual contra integrantes da PF e do Supremo envolvidos em investigações que tramitavam na Corte.
Em decisão sigilosa proferida em 4 de setembro, Moraes acolheu um pedido de arquivamento apresentado pela PGR. Para o órgão, as provas reunidas não eram suficientes para responsabilizar os investigados pelos crimes apontados pela PF.
“Assim, tendo o Ministério Público requerido o arquivamento no prazo legal não cabe ação privada subsidiária, ou a título originário (CPP, art. 29; CF, art. 5º, LIX), sendo essa manifestação irretratável, salvo no surgimento de novas provas. Diante do exposto, acolho a manifestação da Procuradoria-Geral da República e defiro o arquivamento desta investigação”, escreveu o ministro.

