Salomão elogia Lei da Relevância, sancionada por Lula: "Efetividade"
Lula sancionou lei que cria filtro de relevância para recursos no STJ. Nova regra exige demonstração de relevância econômica e política

O ministro Luis Felipe Salomão, que assumirá a presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 19 de agosto, afirmou que a partir de agora o sistema judicial vai ser mais efetivo e mais previsível. A fala ocorreu durante a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da lei que regulamenta o critério de relevância para a admissão de recursos especiais na Corte.
Durante a solenidade, no Palácio do Planalto, Salomão explicou que o novo filtro permitirá ao STJ concentrar sua atuação em questões federais importantes para toda a sociedade, o que fortace o tribunal como corte de precedentes, além de contribuir para decisões mais ágeis, reduzindo o tempo de duração de processos.
“O filtro da relevância é uma ideia simples. Quem recorre ao STJ precisa evidenciar, no recurso, uma questão de direito federal que ultrapasse o interesse individual das partes e importe para toda a coletividade“, afirmou.
O critério de relevância foi previsto por uma alteração constitucional aprovada em 2022, mas dependia de regulamentação. Neste ano, a proposta foi aprovada pelo Senado Federal e, em seguida, pela Câmara dos Deputados, sem alterações. Concluída a tramitação no Congresso Nacional, o texto seguiu para sanção presidencial e foi convertido na Lei nº 15.484/2026.
Pelo novo sistema, quem apresentar recurso especial deverá demonstrar que o pedido possui relevância jurídica, econômica, política ou social. Algumas matérias terão relevância presumida. Para recusar um recurso por falta de relevância, será necessário o voto de dois terços dos integrantes do órgão julgador.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraSalomão ressaltou que o mecanismo não impede que o cidadão procure o Judiciário nem limita a atuação das outras instâncias. “O filtro não restringe o acesso, mas o qualifica“, declarou.
Processos
Somente em 2025, o STJ julgou 781.788 processos e recebeu 508.523 novas demandas. Segundo o ministro Salomão, a aplicação do filtro poderá reduzir em até 45% o volume de processos que chegam à Corte, permitindo análises mais aprofundadas e maior rapidez na formação de precedentes.
“O Supremo já tem um filtro semelhante. Agora é a vez do STJ. Os filtros se conectam ao sistema de precedentes qualificados, trazendo serenidade, efetividade, isonomia e previsibilidade ao sistema judicial”, destacou o ministro.
Para Salomão, a sanção marca o início de uma nova etapa para o Poder Judiciário. “Nós estamos vivendo um novo tempo no sistema de Justiça”, concluiu.
Lula também ressaltou a expectativa de maior agilidade na prestação jurisdicional. “Hoje o povo brasileiro pode ter esperança de que as coisas podem começar a andar mais rápido na Justiça brasileira”, afirmou.




