
Manoela AlcântaraColunas

PGR denuncia 9 pessoas, entre ex-chefe de gabinete de ministra e ex-servidor, por venda de sentenças no STJ
Organização inflitrada no Superior Tribunal de Justiça atuou entre junho de 2019 e dezembro de 2023; entre os denunicados, não há ministros
atualizado
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nove pessoas suspeitas de fazerem parte de uma organização criminosa que negociava a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Entre os nomes dos denunciados estão um ex-servidor do STJ, lotado no gabinete da ministra Isabel Gallotti, a esposa dele; um ex-chefe de gabinete do STJ; uma advogada; operadores financeiros; um empresário e interessados nos resultados dos processos.
Entre os denunciados, não há ministros.
Em 71 páginas, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, descreve na denúncia que os nove atuaram em uma “organização criminosa voltada ao pagamento e obtenção de vantagens pecuniárias ilícitas, em troca de interferências no resultado de decisões judiciais do STJ”.
Para Gonet, a organização atuou pelo menos desde 17 de junho de 2019 e operou até dezembro de 2023. A atuação da quadrilha, segundo a PGR, ocorria por meio meio da cooptação de funcionários públicos.
Segundo narra na denúncia, a organização tinha três núcleos:
- Um privado, voltado à captação de interessados e negociação de decisões judiciais
- Um público, responsável pelo acesso, elaboração e compartilhamento de minutas e informações sigilosas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça
- Um financeiro, incumbido da ocultação e dissimulação dos valores, mediante uso de pessoas jurídicas e operações fracionadas em espécie
“A engrenagem, dotada de permanência, coordenação e funcionalidade interna, caracteriza o crime de organização criminosa”, diz Gonet na denúncia.
Para a PGR, a atuação do grupo se concentrou, de modo predominante, em Brasília e Cuiabá, “a partir de uma engrenagem delitiva que articulava interesses privados, agentes públicos corrompidos e operadores financeiros voltados à circulação e ocultação de recursos ilícitos”.
Saiba quem são os denunciados:
Márcio José Toledo Pinto: ex-servidor, lotado no gabinete da ministra do STJ Isabel Gallotti. Denunciado pelos crimes de corrupção passiva; violação de sigilo funcional qualificada em duas ocasiões, sendo uma delas desdobrada em três atos executórios em continuidade delitiva; lavagem de capitais e organização criminosa. Segundo a PGR, era Márcio Toledo que fazia as minutas em trocas de vantagens indevidas.
Vanessa Resende Gonçalves: casada com Márcio Toledo, era a responsável por viabilizar o branqueamento de valores. Foi denunciada pela PGR pelos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa.
Daimler Alberto de Campos: ex-chefe de gabinete no STJ. Acusado de desempenhar papel essencial no esquema junto a Márcio Toledo. Segundo a PGR, era Daimler que violava o sigilo funcional, ao revelar previamente o conteúdo de decisão judicial e disponibilizava a minuta antecipada alinhada ao resultado pretendido, em contrapartida à vantagem indevida ajustada. Foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva; violação de sigilo funcional qualificada; e organização criminosa.
Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Daimler classificou a denúncia como “teratológica”. “Basta verificar que a sindicância promovida pelo STJ havia afastado sua responsabilidade e o Delegado responsável pelo caso não o indiciou. Infelizmente, toda a documentação defensiva apresentada foi ignorada. Acreditamos firmemente que o Poder Judiciário fará justiça e rejeitará prontamente a acusação”, diz nota.
Diego Cavalcante Gomes: apontado como operador financeiro, com a função de evitar rastreamento do dinheiro para o pagamento de sentenças. Foi denunciado pelos crimes de lavagem de capitais e organização.
João Batista da Silva: atuava como operador financeiro da organização criminosa. Foi denunciado pelos crimes de lavagem de capitais e organização.
Bernardo Mazzutti: parte interessada no resultado dos processos. Era um dos que pagaram pelas decisões. Foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de capitais.
Carlos Antônio Nogueira Júnior: também parte interessada, que pagava pelas sentenças. Foi denunciado por corrupção ativa e lavagem de capitais.
Andreson de Oliveira Gonçalves: empresário, acusado de oferecer e viabilizar o pagamento de vantagem indevida a agente público, com o propósito de influenciar o conteúdo de minuta de decisão judicial . Foi denunciado pela PGR pelos crimes de corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais, por três vezes e organização criminosa.
Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello: mulher de Andreson e advogada. Denunciada pelos crimes de lavagem de capitais e organização criminosa.