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Manoela Alcântara

Padilha contesta clubes e cita suicídios para defender fim das bets.

Em audiência no STF, ministro da Saúde contrapôs perdas financeiras dos clubes aos riscos de suicídio, dependência e violência familiar

03/11/2026 16:33, atualizado 03/11/2026 17:09
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Padilha contesta clubes e cita suicídios para defender fim das bets

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu representantes de clubes de futebol contrários à proibição das bets no Brasil e citou os riscos de suicídio, dependência em jogos de azar e violência familiar para defender o fim das apostas esportivas no país.

A declaração ocorreu na tarde desta terça-feira (3/11), em uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) comandada pelo ministro Luiz Fux.

Padilha contrapôs as preocupações financeiras dos clubes aos impactos das apostas na saúde pública, especialmente entre as mulheres.

“Ouvi um representante de um time de futebol que acabou de falar que a briga dele são os clubes, o salário, como manter um time de futebol. A minha briga são as mulheres: 65% delas têm vergonha de procurar um serviço de saúde mesmo que reconheçam que estão no vício”, afirmou.

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O ministro sustentou que a proibição das apostas seria a medida mais eficaz para reduzir os problemas associados à dependência em jogos, incluindo casos de suicídio e violência dentro das famílias.

“A única e melhor solução para evitar suicídios, evitar pessoas viciadas, evitar violência familiar, é mantermos a proibição das bets”, declarou.

Padilha também contestou os dados apresentados por representantes de clubes sobre países que teriam reduzido os impactos na saúde após legalizar as bets. Segundo o ministro, não houve melhora nos indicadores.

“Todos os países que legalizaram as bets pioram seus indicadores de saúde. Não teve nenhum que teve melhora. Não teve nenhum país que ao legalizar as bets reduziu o número de pessoas que procuram o serviço de saúde; [não teve] reduziu o risco de suicídio; [não teve] reduziu a violência familiar relacionado as bets ou que tenha qualquer pesquisa realizada nesses país que mostraram a melhora dos indicadores de saúde da ludopatia ao legalizar as bets”, afirmou.

Padilha prosseguiu: “Muitas vezes o impacto maior não é só naqueles que são mais vulneráveis, mais afetados, que já tem a prática compulsiva. O maior impacto é quando você tira esse risco do conjunto da população. E a melhor forma de tirar esse risco do conjunto da população é impedir essa prática em nosso país”.

A audiência ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar uma medida provisória que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas esportivas e cassinos online em todo o país.

Crime organizado

Além de Padilha, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, defendeu a medida assinada por Lula e destacou os impactos das bets na segurança pública.

“Danos na área da saúde pública, de cidadania digital e na área da segurança pública em particular. Desafortunadamente, constatamos uma proximidade indesejável da atividade Bets com o crime organizado, com a lavagem de dinheiro e são muitos os dados que posteriormente vamos municiar aqui”, disse.

Os dados da pasta de Wellington, desde 2018, as polícias e os ministérios públicos fizeram 21 operações contra o mercado de apostas, em oito estados. Só nas 10 operações federais, a Justiça autorizou bloqueios de cerca de R$ 3,3 bilhões.