Moraes vê indícios de crimes de Mendonça; veja íntegra da decisão
Segundo Moraes, ministro interferiu na PF, participou de tratativas de delação e direcionou investigações por razões políticas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver “fortes indícios” de que André Mendonça cometeu abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes enviou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin, nesta quinta-feira (3/9). O encaminhamento ocorreu no âmbito do Inquérito das Fake News.
Segundo o ministor, os relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal (PF) apontaram irregularidades na atuação de Mendonça como relator das duas investigações.
As condutas, segundo Moraes, estão divididas em três frentes: interferência na direção dos trabalhos da PF, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivações pessoais e políticas.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraMoraes afirmou que Mendonça teria assumido atribuições próprias dos investigadores ao solicitar acesso antecipado ao conteúdo bruto de celulares apreendidos, antes da triagem e da análise dos policiais responsáveis.
- Leia a decisão
Para o magistrado, a medida teria permitido que o relator consultasse diretamente o material e poderia comprometer a cadeia de custódia das provas.
“Em que pese a expressa previsão do art. 4º, §6º da Lei nº 12.850/2013, que proíbe o juiz de participar das negociações realizadas entre as partes para a formalização do acordo de colaboração premiada, no item III.8.1 do Relatório de Inteligência (DOC 4 – fls. 17-30), a Polícia Federal aponta que o Ministro relator, André Mendonça, vem tendo efetiva ‘participação nas tratativas de colaboração premiada’ relacionadas tanto à ‘Operação Sem Desconto’, quanto na ‘Operação Compliance Zero'”, escreveu.
Investigação
Moraes ponderou que há um ofício da PF no qual a corporação informa ter produzido relatórios de inteligência que citam, além do próprio ministro, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. Segundo Moraes, os documentos foram produzidos a partir de inúmeras irregularidades cometidas no âmbito dos dois inquéritos.
“Os fatos narrados nos ‘Relatórios de Inteligência’ indicam que, na relatoria das PETs 15041 (Operação Sem Desconto) e 15556 (Operação Compliance Zero), o Ministro André Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa (Lei nº 8.429/92), Lei crimes de responsabilidade (Lei nº 1.079/50) e de abuso de autoridade (Lei nº 13.869/2019), com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”, ponderou.
Moraes também acusou o colega de direcionar diligências para tentar incriminá-lo. Segundo a decisão, Mendonça pediu mais de uma vez que a PF apresentasse alguma provocação que permitisse a abertura de uma investigação formal contra Moraes.
“Como nem a Polícia Federal, nem a Procuradoria-Geral da República encontraram qualquer fato que pudesse constituir infração penal por parte do Ministro Alexandre de Moraes, o Ministro relator, André Mendonça, reiterou suas condutas de incriminá-lo, direcionando as
investigações, conforme consta em ‘Relatório de Inteligência'”, escreveu.
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