
Manoela AlcântaraColunas

Moraes: políticos usam ataques ao STF como “escada” para eleições. Veja vídeo
Moraes critica uso de ataques ao STF para fins eleitorais e diz que estratégia é adotada por políticos “sem voto” em busca de “likes”
atualizado
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que políticos têm ofendido o Judiciário e os ministros da Corte para utilizar esses ataques como “escada” para candidaturas nas eleições.
A declaração foi feita em sessão nesta terça-feira (28/4), na Primeira Turma, durante o julgamento de uma queixa-crime apresentada pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO) contra o colega José Nelto (União Brasil-GO), por supostos crimes de calúnia e injúria.
Moraes afirmou que deputados utilizam esses instrumentos para xingamentos recíprocos com fins eleitorais e destacou que isso também ocorre contra o STF, o que, segundo o ministro, é corroborado por pesquisas. Ele acrescentou que essa estratégia é adotada por políticos “sem voto”.
“Esses políticos, que pretendem ao invés de discutir educação, saúde, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, o que fizeram de bem e de mal, querem pegar uma escada em uma suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais, que seriam em qualquer local do mundo caracterização de assédio moral”, disse Moraes.
O ministro prosseguiu: “E, com isso, volto a dizer: querem likes. E acham que o eleitor e a eleitora não têm consciência disso. O pior de tudo não é só ofender a instituição, ofender o Poder Judiciário, ofender os ministros e a ministra do Poder Judiciário: o pior é ofender a inteligência do eleitorado. O eleitor e a eleitora não querem essa histeria coletiva de ofensas e mais ofensas. O eleitor e a eleitora e todo o eleitorado querem solução dos problemas brasileiros.”
No julgamento do caso, o ministro Cristiano Zanin votou para acompanhar Moraes pela rejeição da queixa-crime apresentada por Gayer. Já a ministra Cármen Lúcia havia votado pela abertura de processo penal contra José Nelto por calúnia e injúria. O ministro Flávio Dino, por sua vez, havia defendido o recebimento da queixa apenas pelo crime de calúnia. Com o empate, o caso acabou rejeitado.
