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“Todo mundo vendendo voto por aí”, dispara ministro do STJ em sessão. Veja vídeo
O ministro do STJ fez a declaração ao criticar “interferência” e revelar que foi procurado por mais de 10 pessoas para tratar do mesmo caso
atualizado
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O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha criticou interferência “alheia” em processos e declarou que “[está] todo mundo vendendo voto por aí, pelo Brasil afora”.
A declaração ocorreu durante julgamento de um recurso especial na Quarta Turma do STJ. No caso, a Corte analisou pedido da Hyundai Corporation após condenação pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para pagar por um “calote” dado em 1999 à importadora Teixeira Nunes. A empresa sul-coreana alegou que a citação no processo foi feita a uma outra empresa, a Hyundai Caoa, com a qual não tem relação comercial.
Noronha interrompeu a leitura do voto e disse que foi procurado “por mais de 10 pessoas”, que não são advogados constituídos, para falar sobre o mesmo caso. “Sem considerar a quantidade de pedido que teve no meu gabinete para adiar o processo. Hoje mesmo ainda ligaram perguntando se podia adiar o processo, quando eu falei que já estava determinado”, declarou.
“Isso mostra que Brasília está ficando difícil… quantidade de interferência em processo alheio. Essa interferência tem crescido. Ou seja, todo mundo vendendo voto por aí, pelo Brasil afora. A verdade é essa”, disse o ministro, pontuando que nada tem a ver com o advogado que sustentou a favor da importadora.
Noronha acompanhou os votos de Isabel Gallotti e Raul Araújo. Por maioria, a Quarta Turma conheceu o recurso da Hyundai Corporation para anular os atos do processo desde a citação.
Segundo Noronha, a solução do caso será a condenação “de quem realmente contratou”, com homologação da sentença na Coreia para pagamento da obrigação.
