Gilmar diz não ser contra Código de Ética, mas cita dúvidas entre ministros.
Decano afirma que proposta gerou debate interno no STF sobre o momento adequado de discussão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não tem nada contra o Código de Ética defendido pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin, mas disse compreender as dúvidas dos colegas quanto ao momento de discutir a proposta.
Em entrevista ao Metrópoles, concedida às jornalistas Manoela Alcântara e Marília Ribeiro, na tarde desta quinta-feira (23/4), o decano ressaltou que não se opõe à iniciativa, mas ponderou que houve debates internos sobre a oportunidade de discutir o tema agora.
“Nada contra a possibilidade [do Código]. A questão que suscitou os debates internos no Supremo foi a da oportunidade desse debate neste momento: se, de fato, era a ocasião correta ou se havia até um oportunismo na proposta”, disse o decano.
Gilmar prosseguiu: “E, por isso, então vieram as dúvidas, mas, obviamente, não há dificuldades para a discussão e a aprovação de um Código de Ética. Mas há coisas maiores do que isso, as questões são mais complexas. Temos muitas coisas para fazer e é preciso ter esse olhar de árvore e floresta. Muitas vezes, as pessoas estão perdendo tempo com picuinhas, com temas pouco relevantes.”
Conforme mostrou a coluna no mês passado, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que há avanços na proposta, mas ainda existe divisão entre os ministros.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraO material, que deve ser apresentado ainda este ano, está sendo elaborado pela ministra Cármen Lúcia.
“Sempre houve divisões no tribunal”
Em entrevista, Gilmar Mendes também afirmou que não vê o STF como “rachado” e que divisões sempre fizeram parte da dinâmica da Corte.
“Não [há STF rachado]. Além disso, divisões sempre houve no tribunal, e a unanimidade também não é um estado normal no tribunal e nas cortes em geral. O tribunal é um modelo colegiado”, disse o decano.




