Fachin: combater o crime organizado é questão de Estado no Brasil
No CNJ, o ministro Edson Fachin analisou que o crime organizado "corrói as instituições, captura mercados lícitos, financia a violência"

A atuação das organizações criminosas no Brasil é uma preocupação latente para o Poder Judiciário. O ministro Edson Fachin, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ressaltou nesta segunda-feira (23/3) que o crime organizado “com seu crescimento e reconfigurações nos últimos anos, tournou-se uma ameaça ao próprio Estado de Direito Democrático“.
Durante a abertura do Encontro Nacional sobre os Desafios do Poder Judiciário ante ao Crime Organizado, Fachin enfatizou que as organizações criminosas estão presentes em todos os Estados e no Distrito Federal. “Duas facções têm expandido sua atuação para vários Estados e já possuem caráter transnacional”.
Para Fachin, o crime organizado “corrói as instituições, captura mercados lícitos, financia a violência, instrumentaliza o sistema financeiro para a lavagem de seus produtos e, no limite, disputa com o Estado o monopólio do uso da força em territórios que, abandonados pelo Poder Público, tornaram-se vulneráveis”, disse durante o encontro no CNJ.
12,4 mil ações
Nos últimos meses, o CNJ desenvolveu o Painel Nacional do Crime Organizado, que consolida os dados disponíveis ao Poder Judiciário para identificar da quantidade de ações e de inquéritos novos e pendentes de julgamentos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraDe acordo com os dados levantados, até dezembro de 2025, havia 12.448 ações penais de organização criminosa pendentes.
Ainda segundo mostra o painel, o número de novas ações em 2025 (3.027) superou as arquivadas (1.661) e, em cinco anos, houve um aumento do número de novas ações penais envolvendo organizações criminosas em quase 160%: de 2.607 em 2020 para 6.761 em 2025.
“São dados eloquentes e desafiadores. Nosso lema aqui é transparência e integridade”, disse Fachin sobre os dados.
Ainda na abertura do evento, Fachin exigiu uma atuação coordenada e estratégica das instituições públicas. “O CNJ deve avançar na coordenação de um pacto interinstitucional voltado à formulação de ações específicas e ajustadas aos diferentes cenários do crime organizado no território nacional”, afirmou.




