Ex-diretor do BC diz que alertou para riscos na compra do Master pelo BRB
Defesa de Paulo Sérgio contesta versão de Galípolo e afirma que análise enviada em junho de 2025 apontava riscos financeiros e tributários
26/10/2026 18:38

O ex-integrante do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza afirmou à Polícia Federal (PF) que alertou sobre riscos na compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), em junho de 2025.
Em manifestação apresentada à PF e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa sustenta que Paulo Sérgio encaminhou, em 8 de junho daquele ano, uma análise ao então diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, apontando possíveis impactos financeiros e tributários da operação.
O documento indicava que o cancelamento das operações de venda de carteiras de crédito do Master ao BRB não provocaria prejuízo patrimonial, desde que a aquisição do banco fosse autorizada.
A análise, no entanto, apontava que o BRB precisaria de 12 a 18 meses para recompor integralmente a carteira de crédito, considerando a capacidade do Master de gerar R$ 350 milhões mensais em novos empréstimos consignados.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela Alcântara“Trata-se, portanto, de conclusão contábil preliminar e condicionada, apresentada ao Diretor de Fiscalização. Sem que isso, em hipótese alguma, possa ser interpretado como afirmação da inexistência de fraude ou como afastamento da necessidade de sua devida apuração e da adoção das providências cabíveis”, escreveu a defesa.
Os advogados contestam o depoimento prestado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em 7 de outubro, no qual afirmou que Paulo Sérgio adotava uma posição mais favorável à compra do Master pelo BRB.
A defesa também sustenta que Paulo Sérgio chegou a defender a liquidação do Master em março de 2025, diante do agravamento da crise financeira da instituição.
“Naquela ocasião, o peticionário [Paulo Sérgio] era favorável à liquidação do conglomerado, conforme a minuta de liquidação de março de 2025. O chefe do Derad, inclusive, também já havia alertado, em janeiro de 2025, para que o conglomerado não fosse entregue ao liquidante sem caixa. Ainda assim, não houve deliberação da Diretoria Colegiada”, salientou
O documento indicava que o cancelamento integral dessas operações não provocaria impacto patrimonial aos bancos, desde que a aquisição do Master pelo BRB fosse autorizada.
Apesar dessa conclusão, a análise apresentava ressalvas. Entre elas, estavam possíveis consequências tributárias e impactos na viabilidade financeira da transação.
Pedido de anulação
Conforme mostrou a coluna, a defesa do ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e do irmão dele, o agricultor Luis Roberto Neves de Souza, pediu a anulação de “entrevistas” realizadas pela PF nas investigações do Caso Master.
Segundo revelou a coluna do Metrópoles de Tácio Lorran, os irmãos movimentaram R$ 7,7 milhões em cinco anos com a compra ou venda de nove terrenos urbanos, dois lotes onde teriam construído prédios residenciais e um sítio.
A defesa relata que ambos foram abordados em 21 de julho de 2026 por agentes do Grupo Especial de Investigações Sensíveis em Juruaia e Guaxupé, no interior de Minas Gerais.
Luis Roberto foi questionado no Sítio Mirante sobre a gestão da propriedade e contratos da empresa Noah Empreendimentos. Paulo Sérgio foi ouvido em sua residência sobre a negociação do imóvel.
Segundo os advogados, as perguntas também trataram da administração e venda do sítio, dos direitos de manejo e colheita do café, dos empreendimentos previstos para o local e da relação entre Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro. A PF ainda questionou Luis Roberto sobre sua contratação como gerente administrativo da Noah Empreendimentos e Participações Ltda.

