Em domiciliar, ex-secretário do MA é internado após paralisia facial
Raimundo Cutrim foi hospitalizado após uma paralisia facial. Ele está em prisão domiciliar e foi levado a um hospital em São Luís

O ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, foi hospitalizado após uma paralisia facial do lado esquerdo. Em prisão domiciliar, Cutrim foi encaminhado ao Hospital São Domingos, em São Luís, e passa por exames. A entrada foi nesta terça-feira (13/10).
Cutrim está em prisão domiciliar por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a defesa, os sintomas começaram na sexta-feira (9/10). O quadro está sob avaliação médica, sem diagnóstico confirmado de AVC.
Delegado aposentado da Polícia Federal, Cutrim foi duas vezes secretário de Segurança Pública, três vezes deputado estadual e, mais recentemente, secretário de Assuntos Legislativos do governo Carlos Brandão.
Desde julho, está em domiciliar, usa tornozeleira eletrônica e tem restrições à comunicação, incluindo a proibição de gravar vídeos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraA decisão, proferida em 14 de julho, também determinou seu afastamento do cargo no governo estadual, no âmbito de investigação relacionada ao caso Tech Office.
“Ecossistema empresarial criminoso”
Em agosto, decisões que tiveram o sigilo retirado pelo ministro Flávio Dino, do STF, revelam investigações sobre suspeitas de corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça envolvendo integrantes da cúpula política do Maranhão.
Nos documentos, a Polícia Federal (PF) descreve a estrutura investigada como um “ecossistema empresarial criminoso” e aponta ações destinadas a impedir o avanço das apurações.
Raimundo Cutrim, alvo da PF, foi apontado pelos investigadores como coordenador de um núcleo de contrainteligência que teria pago subornos para garantir o silêncio sobre o assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em 2022.
Conforme mostrou a coluna, Cutrim teria usado a experiência como delegado aposentado para atuar na coação de testemunhas, em tentativas de suborno e em fraudes processuais.
A PF afirma que o objetivo das manobras era garantir o “silêncio absoluto” sobre a suposta participação de agentes públicos e integrantes da família Brandão em crimes que incluem corrupção e um homicídio ocorrido em 2022.
R$ 160 mil
Os investigadores apontam que Cutrim teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares de investigados presos. Segundo a PF, ele atuava como interlocutor estratégico da família Brandão para evitar que investigados firmassem acordos de colaboração com o STF.
Em áudios obtidos pela PF, o ex-delegado aparece instruindo familiares a construir uma versão de “estado de necessidade” para justificar mudanças em depoimentos e, segundo os investigadores, isentar Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), de qualquer participação no homicídio do empresário João Bosco, em 2022.
De acordo com a PF, há elementos de que Cutrim atuou para que Gilbson Júnior, apontado como responsável pela morte de Bosco, e a esposa dele alterassem versões apresentadas em depoimentos.
A investigação aponta ainda encontros entre Cutrim e o pai de Gilbson que teriam como objetivo afastar a participação do conselheiro do TCE-MA no caso. Gilbson está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Daniel Brandão é sobrinho do governador do Maranhão, Carlos Brandão. Segundo a PF, o conselheiro estaria presente na reunião que resultou no assassinato de Bosco, mas seu nome teria sido omitido das investigações conduzidas pela Polícia Civil do Maranhão, que concluiu o inquérito tratando o episódio como uma briga privada.
Além do conselheiro, a PF aponta que o grupo teria contado com o apoio financeiro de Marcus Brandão, irmão do governador. Segundo os investigadores, ele seria a origem de parte dos recursos em espécie movimentados por Cutrim.
Defesa de Cutrim
A defesa de Cutrim analisa que a prisão ocorreu sem que os advogados tivessem acesso integral aos autos. Em julgamento virtual realizado em setembro, Alexandre de Moraes votou pela manutenção da medida, sendo acompanhado pelos demais ministros participantes.
Na fundamentação, Moraes afirmou que Cutrim “não apresentou qualquer argumento apto a desconstituir os fundamentos apontados”. A declaração foi contestada pela defesa em nota pública de 26 de setembro: “Como desconstituir fundamentos aos quais a defesa não tem acesso?”, apontaram os advogados.
Segundo alega a defesa, somente em 7 de outubro, quase três meses após a decretação da prisão, houve o acesso parcial a alguns documentos do processo. Segundo a defesa, até então, informações sobre decisões judiciais chegavam ao seu conhecimento por meio da imprensa.

