
Manoela AlcântaraColunas

Em delírio, Adélio diz que teria Bonner em chapa presidencial
Menções à candidatura, segundo peritos, reforçam o diagnóstico de esquizofrenia paranoide e mostram que a saúde mental dele piorou na prisão
atualizado
Compartilhar notícia

Em meio a delírios, Adélio Bispo, autor da facada no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou a peritos que poderia disputar o Palácio do Planalto e citou os jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta como opções para compor uma eventual chapa presidencial.
Como a coluna revelou, Adélio foi submetido a um novo exame para avaliar se haveria possibilidade de deixar a prisão. O laudo, no entanto, aponta que ele, considerado inimputável, apresenta piora significativa do quadro psiquiátrico enquanto permanece na Penitenciária Federal de Campo Grande.
Ao longo do exame, realizado em novembro do ano passado, Adélio verbalizou aos peritos o eventual desejo de se candidatar à Presidência da República. Questionado sobre quem escolheria para a chapa, afirmou “com firmeza” que sua primeira opção seria Patrícia Poeta.
Em seguida, segundo os peritos, disse que, em caso de recusa, optaria pelo jornalista William Bonner. Ao justificar as escolhas, Adélio afirmou que ambos os jornalistas transmitiriam credibilidade ao público durante as eleições.
“Tais manifestações denotam comprometimento do senso de realidade e exacerbação da autoestima delirante, reforçando o diagnóstico de transtorno psicótico persistente”, aponta trecho do laudo ao qual a coluna teve acesso.
Os peritos descrevem Adélio como alguém de “humor subjetivo tranquilo”, mas ansioso e tenso. Segundo o relatório, ele apresenta “afeto reduzido, empobrecido, com pouca variação emocional ao longo da entrevista”.
Na avaliação técnica, Adélio tem o juízo fortemente comprometido, com percepção distorcida da realidade e das consequências do ataque cometido contra o ex-presidente. O algoz de Bolsonaro tem diagnóstico de esquizofrenia paranoide.
Recusa de tratamento
Segundo apurou a coluna junto aos peritos responsáveis pelo parecer, Adélio apresenta grave comprometimento da realidade, com alucinações durante a maior parte do tempo, além de prejuízo funcional significativo.
Conforme descrito no laudo, ele não reconhece que está doente nem compreende a necessidade de tratamento. Atualmente, não é mais considerado “racional”. Como o Metrópoles revelou em abril de 2025, Adélio recusava tratamento e dizia que “não é doido” aos agentes responsáveis por sua custódia.
“A análise clínica longitudinal do sr. Adélio Bispo de Oliveira demonstra um quadro de transtorno mental crônico, com características compatíveis com transtorno esquizofrênico, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da própria psicose. Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado, conforme literatura psiquiátrica consolidada”, diz trecho do laudo.










