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Manoela Alcântara

Dino manda PF investigar emendas Pix citadas em relatório do TCU

Em nova decisão, magistrado pede que órgão investigue indícios de crimes em destinação de emendas Pix entre 2020 e 2024

07/08/2026 10:56, atualizado 07/08/2026 11:33
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Ministro Flávio Dino (STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino enviou à Polícia Federal (PF) um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que aponta indícios de irregularidades na destinação de emendas Pix e determinou que o órgão analise se há indícios de crime nos repasses.

De acordo com a auditoria realizada pelo tribunal e citada por Dino, apenas parte das análises identificou mais de R$ 55,4 milhões em danos ao erário decorrentes de irregularidades na execução das emendas. Na decisão, o magistrado orienta que a PF priorize estes casos.

Ainda segundo o relatório, foram identificados:

  • Problemas na transparência e rastreabilidade dos recursos: com apontamentos para movimentação de recursos em conta corrente não específica e a ausência de relatório de gestão no Transferegov, causando prejuízos que chegam a R$ 26,3 milhões;
  • Irregularidades na execução financeira das transferências especiais: onde o TCU identifica “pagamento de despesas sem comprovação jurídica/fiscal idônea”, “pagamento de despesas estranhas à finalidade da transferência especial” e “pagamentos de despesas sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”, que causaram danos de mais R$ 14,9 milhões;
  • Irregularidades e/ou impropriedades no procedimento licitatório: que apontam para “fraude à licitação/licitação forjada” e “contratação de empresa declarada inidônea”; e
  • Irregularidades na execução física e contratual: com “inexecução total ou parcial do objeto” e o “superfaturamento de preços”, que causaram um prejuízo apurado de R$ 14.107.068,26

O relatório aponta ainda para problemas na plataforma Transferegov.br, a plataforma oficial do Governo Federal para gerenciar e operacionalizar a transferência de recursos da União para estados e municípios.

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Segundo Dino, o site permite que parlamentares utiliza informações genéricas para tratar da indicação de emendas e pede que a ministra Esther Dweck, à frente do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), responsável pela plataforma, se manifeste, no prazo de 10 dias, sobre as fragilidades apontadas no Transferegov.br.

“Oficie-se à Exma. Ministra de Estado da Gestão e da Inovação em Serviços Público, para que, no prazo de 10 (dez) dias úteis manifeste-se acerca das conclusões apresentadas […] quanto à persistência de fragilidades na Plataforma Transferegov.br que dificultam a transparência e a rastreabilidade das “emendas individuais”, informando as providências já adotadas e/ou as medidas necessárias, sob o ponto de vista técnico, à superação definitiva das deficiências identificadas”, determina o magistrado.

Emendas de liderança

Na decisão, que é do dia 31 de julho, Dino também pede explicações sobre as emendas de liderança. Os valores, que segundo Dino, são  formalmente atribuídas às lideranças partidárias, são destinadas sem a identificação do parlamentar efetivamente responsável pela escolha do beneficiário.

O magistrado cita levantamento realizado pela Associação Contas Abertas, Transparência Brasil e Transparência Internacional, que identificou, apenas em 2025, 1.341 indicações em “emendas liderança”, cujo valores chegam a R$ 11,7 bilhões. Desse, 1.606 apresentavam valores iguais ou inferiores a R$ 100 mil.