
Manoela AlcântaraColunas

CNJ mantém afastado desembargador de MT suspeito de venda de sentenças
Por unanimidade, o CNJ manteve decisão do corregedor nacional de Justiça após magistrado ter movimentado R$ 14,6 milhões nos últimos 5 anos
atualizado
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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve, por unanimidade, o afastamento do desembargador de Mato Grosso Dirceu dos Santos, investigado por suposta venda de sentenças. O magistrado foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (2/3) e afastado. Nesta terça (3/3), plenário do CNJ manteve decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell.
Segundo as investigações do CNJ, Dirceu é suspeito de receber vantagens indevidas para proferir decisões favoráveis a terceiros, entre empresários e advogados.
As suspeitas surgiram após a quebra dos sigilos bancário e fiscal do desembargador. A apuração indicou que o aumento do patrimônio dele não é compatível com os rendimentos declarados ao longo da carreira na magistratura.
Os dados indicam que o magistrado movimentou R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos. A análise do CNJ, com base nas declarações de Imposto de Renda, identificou variação patrimonial a descoberto, especialmente entre 2021 e 2023 — período em que os ilícitos teriam ocorrido.
“Apenas neste último ano, a diferença entre o incremento patrimonial e seus rendimentos licitamente auferidos alcançou o patamar de R$ 1.913.478,48”, informou o CNJ.
Operação
A PF cumpriu diligências na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso com o objetivo de recolher documentos e equipamentos eletrônicos.
O material recolhido pelos investigadores será periciado e, posteriormente, entregue pela PF ao CNJ.
